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Lá e cá

Quando a lei da vida revela que tudo que vem, um dia vai embora

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Autor/Imagem:
Heliodoro Quaresma - Foto de Arquivo

Acostumado a se apossar de tudo que o não é dele, o populista presidente republicano Donald Trump popularizou o slogan Make America Great Again (Torne a América Grande Novamente) Originário da campanha presidencial de Ronald Reagan, em 1980, o bordão se transformou em um dos maiores embustes da gestão do pendular Trump. Copiado no Brasil pelos inflamados seguidores daquele presidente que, a exemplo do “colega” norte-americano, não sabe perder, a expressão acabou virando, lá e cá, um sinônimo de incoerências políticas.

No Brasil, o candidato referendado por Donald Trump se diz defensor ferrenho da liberdade de expressão. Só se diz, pois, na primeira oportunidade, contrariou o que havia desenhado para seu distinto público e, sem qualquer preocupação com o eleitorado, requereu (e conseguiu) a censura judicial de uma pesquisa eleitoral que mostrava, com gráficos e números inquestionáveis, que sua candidatura está fazendo água. Sem margem de erro para cima ou para baixo, eu diria que já foi para o vinagre.

Incoerências históricas da família brasileira que só quer ganhar parecem fazer parte da cartilha do atual líder dos Estados Unidos. O que se vê diariamente é um Donald Trump se comportando como déspota e, indiferente aos conselhos e, agora, ao desprezo do mundo, se auto colocando na primeira prateleira dos mandatários que, somados à soma de todos os medos, mergulham de cabeça no poço apinhado de incoerentes e, de quebra, arrastam suas lideranças para o fracasso absoluto.

Por mais que não aceitem, foi esse tipo de conduta que, após uma gestão desastrosa, levou um mito acima de tudo e de todos à derrota definitiva no Brasil. Nos EUA, os frequentes paradoxos de Trump envolvem, principalmente, o discurso de defesa da liberdade e suas ações na prática. Por exemplo, eleito prometendo defender o livre mercado global, uma de suas primeiras ações foi impor tarifas absurdas sobre parceiros comerciais sob a justificativa de “práticas incoerentes”. A pedido do clã derrotado em 2022, o governo dos EUA tarifaram em 50% parte dos produtos exportados pelo Brasil.

Apenas para inglês ver, desde o primeiro mandato Trump critica a ingerência de nações poderosas na soberania dos mais fracos. Visto pelos ingleses, bastou um novo pedido da família que ama o poder para que o presidente dos EUA interferisse com unhas e dentes na política interna, na diplomacia e na segurança do Brasil. Para atender o menino pidão da extrema-direita brasileira e, pretensamente, esvaziar a candidatura adversária, ele decidiu classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Por razões inexplicáveis, mas que todo brasileiro já sabe, as milícias do Rio de Janeiro ficaram de fora.

Mais grave são as discrepâncias entre o discurso diplomático e as ações militares em zonas de conflito no Oriente Médio e na América Latina. A Venezuela, a Faixa de Gaza, o Irã e Cuba são as vítimas potenciais do perfil de polvo de Donald Trump. Autodenominado país da Copa, da liberdade e da defesa da democracia, os EUA impediram a entrada de um árbitro convocado pela Fifa. Pífio e grotesco, o argumento foi a nacionalidade somali do moço do apito. O mundo e os norte-americanos que pensam como os brasileiros que amam a democracia plena e absoluta riram, mas preferiram optar pelo silêncio político até novembro, quando os eleitores americanos serão chamados para participar das eleições de meio de mandato.

A previsão de gregos, baianos e goianos é que Trump deve perder a maioria na Câmara dos Deputados e, por consequência, descer mais dois ou três degraus rumo ao impeachment. Por enquanto, além da instabilidade nas relações dos Estados Unidos com o restante do planeta, as inconsistências de Trump têm gerado desconfianças generalizadas de aliados tradicionais, entre eles o Brasil. Para o bem de todos, a lei da vida revela que tudo que nasce, morre e que tudo que vem, se vai. Como a América não se tornará maior sob a tutela de Donald Trump, que ele descanse em paz depois de novembro e faça companhia ao senhor brasileiro que, depois dos anéis, também ficou sem os dedos.

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Heliodoro Quaresma, jornalista aposentado, mantém uma velha Remington como troféu na estante da sala, e usa um Notebook para escrever artigos pontuais para Notibras

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