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Aliança forte

Café entre Leila do Vôlei e Reguffe pode movimentar o tabuleiro político de 2026

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Autor/Imagem:
José Seabra - Foto de Arquivo

Brasília é uma cidade onde os movimentos políticos mais relevantes nem sempre acontecem nos gabinetes. Muitas vezes, começam em conversas discretas, longe dos holofotes, acompanhadas apenas por uma xícara de café e algumas ideias compartilhadas. É nesse contexto que ganha relevância o encontro previsto para esta semana entre o ex-senador Antônio Reguffe (Solidariedade) e a senadora Leila do Vôlei (PDT).

Companheiros de bancada no Senado durante quatro anos, os dois sempre cultivaram uma relação marcada pela convergência em grande parte dos temas políticos e administrativos. Agora, voltam a se encontrar em um momento em que o cenário eleitoral do Distrito Federal começa a ganhar contornos mais definidos para 2026.

O local da reunião permanece sob reserva, mas, nos bastidores da política brasiliense, o encontro já desperta curiosidade. Oficialmente, a pauta seria uma análise do atual quadro político local. Extraoficialmente, porém, interlocutores próximos aos dois personagens sugerem que a conversa pode avançar para a construção de uma alternativa de centro, distante dos polos ideológicos que dominam o debate nacional.

A avaliação compartilhada por setores desse grupo é de que a governadora Celina Leão (PP), caso confirme a candidatura à reeleição, tende a consolidar o eleitorado de direita. Do outro lado, a esquerda ainda enfrenta dificuldades para construir unidade em torno de um único projeto, com nomes como Leandro Grass (PT) e Ricardo Cappelli (PSB) disputando protagonismo em um ambiente onde as divergências parecem crescer na mesma proporção dos interesses eleitorais.

Nesse vácuo político, surgiria espaço para uma candidatura capaz de dialogar com eleitores moderados, cansados dos embates ideológicos e em busca de uma agenda mais pragmática para Brasília.

Fontes ligadas à senadora Leila afirmam, sob condição de anonimato, que o encontro poderá tratar justamente da formação de uma frente política ampla. Nessa hipótese, nomes como Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo) aparecem como peças importantes de um eventual arranjo eleitoral.

O raciocínio, simples, visa reunir lideranças com perfis distintos, mas identificadas com uma agenda de gestão, renovação administrativa e equilíbrio político. O grupo também partiria da premissa de que o ex-governador José Roberto Arruda (PSD), atualmente inelegível, dificilmente obterá uma decisão favorável do Supremo Tribunal Federal a tempo de disputar o próximo pleito.

Caso as conversas avancem, alguns observadores já enxergam um desenho preliminar para a chapa. Reguffe poderia disputar o Governo do Distrito Federal, tendo Paula Belmonte como candidata a vice-governadora. Kiko Caputo concentraria esforços em uma candidatura à Câmara dos Deputados, enquanto Leila do Vôlei buscaria a renovação de seu mandato no Senado, apoiada por uma estrutura política mais robusta e articulada.

Por enquanto, tudo permanece no terreno das especulações e das conversas reservadas. A política, porém, costuma transformar encontros informais em projetos concretos com surpreendente rapidez. Se o café entre Reguffe e Leila produzir os resultados esperados por seus aliados, Brasília poderá assistir, ainda antes do fim deste mês, ao surgimento de uma nova força no já movimentado tabuleiro eleitoral do Distrito Federal.

Até lá, resta acompanhar os sinais emitidos pelos protagonistas e observar se o aroma do café dará lugar ao anúncio de uma aliança capaz de alterar os rumos da disputa de 2026.

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José Seabra é CEO fundador de Notibras

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