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Pentacampeões

Perdemos hegemonia, mas, sem futebol e Brasil, nossa vida ficaria sem graça

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Autor/Imagem:
Armando Cardoso - Foto de Arquivo

Depois de cinco títulos e do reconhecimento planetário pela prática do melhor futebol do mundo, faz 24 anos que a Seleção Brasileira nada, nada e nem na praia chega. Morre na areia. Pior do que isso, nem a hegemonia temos mais. Primeiro lugar histórico do ranking da Fifa por longos anos, hoje amargamos a sexta posição, com o Marrocos na cola. Vivemos idêntico período de penumbra futebolística entre 1970 e 1994. Como o segredo do esporte é lutar, acreditar, treinar e não desistir, vencer em 2026 é muito difícil, mas não impossível. Aliás, a diferença entre o possível e o impossível está na atitude. Só para registrar, pentacampeões só nós somos.

Ainda que pense como torcedor que sabe que, para alguém ganhar, alguém tem de perder, imagino que um jogador de futebol tem de ir na bola com a mesma disposição que vai num prato de comida. Não vejo isso na seleção canarinho há alguns bons pares de ano. Em que pese o peso do treinador Carlo Ancelotti, na atual nem sinal desse propósito. Massagista, roupeiro, olheiro e técnico, o folclórico Neném Prancha definia o futebol de forma muito simples: quem tem a bola ataca, quem não tem defende. Não estamos conseguindo fazer nem uma coisa e nem outra. Mas vamos conseguir.

Como em qualquer segmento da vida, todos querem vencer, mas só os fortes seguem em frente. Vencedor é aquele que entre em campo sem medo do adversário. Fizemos isso no México em 1970. Nem éramos tão fortes no gol e na zaga, mas tínhamos força, estilo, vontade, atitude, habilidade e coração do meio para frente. O resultado foi aquele que se viu e que até hoje é sinônimo de referência para o futebol mundial. Com Pelé, Tostão, Gérson, Carlos Alberto, Rivelino, Jairzinho, Edu, Clodoaldo e companhia fomos campeões invictos, com uma goleada histórica de 4 a 1 sobre a Itália na finalíssima.

Passamos batidos em 1974, na Alemanha, e, em 1978, fomos campeões morais e também invictos na Argentina da Junta Militar comandada pelos generais Jorge Rafael Videla, Roberto Eduardo Viola, Luciano Benjamín Menéndez e pelo almirante Emílio Eduardo Massera. Perdemos para a ditadura e para a marmelada portenha protagonizada pela seleção do Peru do goleiro argentino naturalizado peruano Ramón Quiroga. Por razões óbvias, ele levou seis gols, dois a mais do que o selecionado da Argentina precisa para derrubar o Brasil e disputar a final contra a Holanda de Neeskens, Krol, Rensenbrink, van e W, van de Kerkhof e Rep.

Em 1982, na Espanha, o Brasil terminou na 5ª. colocação. Apesar de não conquistar o título, a “Seleção de Ouro” encantou o mundo com um futebol ofensivo e vistoso sob o comando de Telê Santana e com um elenco de estrelas como Sócrates, Zico, Júnior, Falcão, Toninho Cerezo e Éder Aleixo. O tropeço ocorreu no jogo que determinava a classificação para as semifinais. Perdemos, de virada, para a Itália de Paolo Rossi. Repetimos o bom futebol, mas acabamos desclassificados, nos pênaltis, para a França de Michel Platini. Em 1990, Claudio Caniggia e Diego Armando Maradona desclassificaram o Brasil.

Voltamos a sentir o gostinho da vitória em 1994, nos Estados Unidos, onde ganhamos o tetracampeonato sobre a Itália de Roberto Baggio. Além de Carlos Alberto Parreira, o técnico, desfilamos com estrelas como Jorginho, Zinho, Romário, Bebeto, Raí, Cafu e Ronaldo Fenômeno iniciando carreira  na Seleção. O penta de 2002, no Japão e na Coreia do Sul, dispensa maiores comentários. Basta que falemos de Felipão e dos shows em campo de Roberto Carlos, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho e Rivaldo, os três últimos considerados melhores jogadores do mundo em ocasiões diferentes. Estreamos em 2026 sem conseguir passar pelo surpreendente Marrocos.

Não faltou o apoio da torcida, que se fez presente em todos os cantos do planeta. Uma torcida não vale a pena pela sua expressão numérica. Ela vive e influi no destino das batalhas pela força do sentimento. E a torcida leva um imperecível estandarte de paixão: a de ser brasileiro que não desiste nunca. Afinal, desistir não é opção para quem nasceu para vencer. Não estou tão otimista como em outras copas. Gostaria somente de lembrar aos jogadores de Ancelotti que quem joga com raça nunca perde. Mesmo pessimista, estarei todos os dias de jogos com o olhar fixo na TV, tentando mostrar àqueles que estiverem do meu lado que, vencendo ou perdendo, sou patriota e torcedor. Avante muchachos, chicos ou boys! Venha quem vier, vamos que vamos! Futebol e Brasil, a vida não teria graça sem vocês.

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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