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Craque dos “migués”

Se Neymar enfrentar Haiti prego TV na parede para que ela também não caia

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Autor/Imagem:
Armando Cardoso - Foto de Arquivo

Embora tenha diferentes significados, a palavra ídolo, no sentido figurado, se refere a uma pessoa famosa que desperta profunda admiração, servindo como referência, modelo de inspiração e pela qual se tem intenso encanto e respeito. Na definição oficial, o termo pode remeter a estátuas ou representações de divindades adoradas em religiões. Já tivemos alguns no esporte, na música e no cinema. Na política, tentaram inventar um. Apesar de uma idolatria insana, ficaram no ora veja e ao Deus dará. Em determinada religião, é comum percebermos que os seguidores idolatram muito mais o pastor do que Jesus Cristo.

Coisas do Brasil e dos brasileiros que não conseguem dissociar o Xis do Ipsilone. Um dia todos saberão que o verdadeiro ídolo não inventa “migués”, esconde as vaidades, não mente, não morrem de overdose e sempre orgulham seus fãs. No esporte, mais especificamente no futebol, os ídolos de ontem, de anteontem e de hoje pululam no imaginário e no dia a dia do torcedor. Mais do que apresentar talento excepcional dentro das quatro linhas, essa figura se destaca por sua identificação histórica com seu clube e com a Seleção Brasileira, pelas conquistas marcantes e por incorporar os valores e a paixão da torcida.

Eu não tenho ídolos, tampouco sou daqueles fãs que “morrem” pelo ídolo. O que tenho é admiração por trabalho, dedicação e competência. Na verdade, meus ídolos são aqueles que seguiram o caminho que quero percorrer e que têm o presente que quero ter no futuro. Em casos específicos, o que parte do Brasil e do mundo chama de mérito e de valor são ídolos que têm apenas nomes, mas nenhuma essência. A história e os álbuns de figurinha contam que jogadores que demostram amor à camisa, respeito à idolatria do público e muita dedicação em campo costumam conquistar rapidamente o coração dos torcedores.

Melhor ainda são aqueles que se destacam como pessoas e como celebridades. Os exemplos são numerosos. Quem não se lembra de Edson Arantes do Nascimento e de Pelé, de Arthur Antunes Coimbra e de Zico, de Leovegildo Gama Júnior e de Júnior, de Roberto Rivelino e de Rivelino, de Eduardo Gonçalves de Andrade e de Tostão, de Jair Ventura Filho e de Jairzinho, de Paulo Roberto Falcão e de Falcão, de Carlos Roberto de Oliveira e de Roberto Dinamite, de Gerson Santos da Silva e de Gerson, de Clodoaldo Tavares de Santa e de Clodoaldo, e de Carlos Caetano Bledorn Verri e de Dunga?

Apesar de alguns percalços pessoais, mais recentemente Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho, Romário, Rivaldo e Bebeto, entre muitos outros, deixaram um legado para seus familiares e, principalmente, para o povo que até hoje os acompanha. Por isso, também merecem um lugar especial na prateleira futebolística dos cerca de 213,5 milhões de brasileiros. Todo esse nostálgico preâmbulo para chegar em Neymar Junior, um jogador que dispensa comentários como craque com a pelota, mas que, como cidadão e como atleta, prefere frequentar o centro das atenções de forma superlativamente polêmica, isto é, notoriamente negativa.

Considerando o pouco caso com os treinamentos, a fixação com os compromissos comerciais, a falta de foco profissional e os frequentes questionamentos extracampo, Neymar Junior e agora pai nunca será um ídolo incontestável. Pelo contrário. Do tipo Midas, ele faz dinheiro e filhos com a mesma maestria. E o futebol? Onde andará? Transformado em “jogador home office”, eu poderia fazer uma análise bem-humorada e afirmar que ele deve estar na alcova, no cabeleireiro, nas sessões de fotos com artistas e affairs, nas churrascarias da moda ou, o que é mais provável, no Departamento Médico do Santos, do Barcelona, do Paris Saint Germain, do Al Hilal ou da CBF. Nos gramados, nem pensar a médio prazo.

Talvez, de cadeira de rodas, na Copa de 2050. Por tudo isso, adiro à parcela da mídia e dos torcedores que classificaram sua presença na lista de Carlos Ancelotti como caríssima exigência dos patrocinadores pessoais do jogador, ou seja, somente jogada de marketing. Apesar de não ter vocação para debater sobre caráter de quem quer que seja, é inadmissível aceitar como normal um ídolo socar um torcedor que o critica por mau desempenho. Pelo menos Neymar Junior, o Cai Cai, se salvou do fiasco da Seleção na estreia contra o Marrocos. Como não jogou, foi o único a manter o nível de atuação. Caso ele retorne nesta sexta-feira (19) contra o Haiti, é bom que evitemos esbarrar na TV para ele não cair. Pra não correr risco, vou pregar a minha Smart TV na parede. Tenho medo de que ela, seguindo o péssimo exemplo do menino Ney, caia no meio da sala.

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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