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Fidelidade

O faroleiro

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Autor/Imagem:
Gilberto Motta - Foto Tasso Scherer

— Olha aí, meu rapaz. Presta atenção nessa vela fumegante e veja a tua vida.

— Nem estou pensando nela… ele tem chama própria.

— Não, não. Você deveria pensar.

Naquela noite o FAROLEIRO disse ao rapaz das coisas da vida. O fogo da chumaça se apagou e outro dia chegou.

Pegaram juntos o pesado do dia.

`A noite o FAROLEIRO disse outra vez.

— É a tua vida… pensa nela todos os dias.

Depois, naquela vida de dois homens meio perdidos e abandonados naquele farol foi seguindo feito farsa.

— Você é um moleque de merda.

— E você é um velho louco

—  Não, somos apenas dois seres aqui no limite de tudo.

Terminaram a madrugada bêbados de rum estirados embaixo do grande cristal o farol que girava e girava e brilhava e brilhava.

Anos se passaram e na prainha do Rio da Madre um dia se encontraram.

— Você está vivo?

— Sim, e você também…

— Pois então, pensou na vida?

— Não, só continuo vivendo.

E o tempo levou os dois juntos até a morte do velho faroleiro.

O já não tão jovem Miguel levou o corpo do velho companheiro até a ilha e o jogou no mar embaixo do farol.

E outro dia amanheceu.

…………………….

Gilberto Motta, escritor e ouvinte de grandes h/estórias. Vive na Guarda do Embaú-SC.

*Foto de Tasso Scherer/Florianópolis-SC.

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