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Grupo K da Copa

Portugal usa chuteira Luiz XV e Congo, pés no chão, empata com cabeça

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Autor/Imagem:
Marcos Cavalcanti - Foto Getty Image

A estreia de Portugal na Copa do Mundo deixou uma lição que o futebol insiste em repetir desde que a bola é redonda. É que nome não faz gol, fama não garante vitória e salto alto combina muito mais com passarela do que com gramado.

Diante da aplicada seleção da República Democrática do Congo, os portugueses comandados por Cristiano Ronaldo, o eterno R7, pareciam ter desembarcado no estádio usando sofisticadas chuteiras Luiz XV, daquelas imaginárias, adornadas com verniz, ouro e saltos elevados. O problema é que futebol continua sendo jogado rente ao chão.

Do outro lado, os congoleses dispensaram qualquer acessório de luxo. Entraram em campo com os pés firmemente plantados na realidade, disposição de sobra e uma estratégia simples: correr, marcar, lutar por cada bola e usar a cabeça — literalmente — para mostrar como se faz gol.

O empate por 1 a 1 acabou premiando a equipe africana, que jamais se intimidou diante do favoritismo lusitano. Enquanto Portugal parecia mais preocupado em admirar o próprio reflexo no espelho da tradição, os congoleses tratavam de construir jogadas, ocupar espaços e acreditar que o impossível só existe até o apito inicial.

João Neves abriu o placar para Portugal, mas a seleção não embalou e levou o empate nos acréscimos; Wissa anotou o primeiro gol da história da seleção congolesa, decretando o placar final.

Durante boa parte da partida, a seleção portuguesa exibiu a costumeira troca de passes refinada, mas faltou transformar elegância em eficiência. O futebol praticado pelos europeus lembrava uma dessas porcelanas raras expostas em vitrines: bonitas de se ver, mas frágeis quando submetidas ao primeiro teste de resistência.

Já a República Democrática do Congo jogou como quem conhece as próprias limitações e, justamente por isso, potencializa suas virtudes. Sem estrelismo, sem poses para fotografias e sem a necessidade de provar qualquer superioridade histórica, os africanos encontraram no jogo coletivo o caminho para equilibrar as ações.

Quando a bola foi alçada na área e encontrou uma cabeça congolesa disposta a desafiar a lógica do favoritismo, a mensagem ficou clara: enquanto alguns jogavam de salto alto, outros permaneciam com os pés no chão.

O resultado embaralha o Grupo K e serve como alerta para Portugal. Em Copa do Mundo, currículo não entra em campo. Títulos passados não marcam gols. E, principalmente, a bola costuma castigar aqueles que confundem confiança com soberba.

Cristiano Ronaldo e companhia ainda têm tempo para corrigir a rota. Mas a estreia mostrou que, no Mundial de 2026, a República Democrática do Congo não pretende participar apenas como convidada da festa. E deixou um aviso aos favoritos: quem entrar de chuteiras Luiz XV corre o risco de escorregar na própria vaidade.

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