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Visitas sagradas

Com marido no estádio, mulher procura, e não acha, um homem perfeito

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Autor/Imagem:
Wenceslau Araújo - Foto Editoria de Artes/IA

Muitos casais brasileiros partiram para o tour futebolístico na América, prioritariamente na terra de Tio Sam, o yankee pendular que, entre dez tentativas de tacadas na caçapa, costuma errar 11. Obviamente que, durante as partidas de algumas das 48 seleções escolhidas para a 23ª Copa do Mundo, a maioria modorrenta e sem graça, as mulheres partem para as sagradas visitas aos shoppings da cidade visitada. Afinal, nenhuma é de ferro, poucas têm disposição para assistir 22 homens chutando bolas para aqui e acolá e muitas delas os homens jamais conseguirão agradar.

Em contato, via Inteligência Artificial, com alguns guias norte-americanos recomendados pela família que só visita Donald Trump para sugerir alguma sacanagem contra o Brasil que está dando certo, o point é uma novíssima Loja de Maridos, inaugurada em Manhattan, Nova Iorque, pouco antes do início dos jogos. Como o próprio nome sugere, o suposto centro de “compras” de maridos tem seis andares e só pode ser visitado uma vez. Segundo os guias, no hall do prédio as clientes recebem instruções acerca do funcionamento da icônica loja.

Em um grande cartaz também há explicações sobre os atributos dos maridos à venda, os quais melhoram a cada andar. O mais interessante é que, após iniciada a subida, a donzela ou a dona insatisfeita em casa pode escolher, logo de cara, subir todos os pavimentos, mas não podem mais descer, a não ser para sair da loja. Entre a avalanche de brasileiras que lotou o parquímetro do shopping de uma loja só, uma de nossas representantes na política nacional se destacou por tentar furar a fila. Foi com ela que minha fonte subiu andar por andar.

Logo no primeiro estava escrito que naquele piso todos os homens tinham bons empregos. Obviamente que nossa sensitiva senhora não se contentou e subiu mais um pavimento. No segundo andar, um cartaz informava que ali todos os homens tinham bons empregos e gostavam de crianças. No terceiro, novo aviso: Aqui os homens têm ótimos empregos, gostam de crianças e são todos bonitos e fortes. Insatisfeita e tentada, nossa política subiu mais um andar.

No piso de número quatro, a informação tinha mais um adendo: Nesse pavimento, os homens têm ótimos empregos, gostam de crianças, são bonitos, fortões e gostam de ajudar nos trabalhos domésticos. Pensando em parar, mas insaciável pelo marido ideal, nossa politiqueira continuou subindo. No quinto andar, o aviso era realmente eloquente: Aqui os homens têm ótimos empregos, gostam de crianças, são bonitos, fortes, gostam de ajudar nos trabalhos domésticos e fazem sexo de três a quatro vezes por dia útil e pelo menos duas aos domingos.

É claro que o apetite sexual chamou a atenção da brasiliana, mas ela insistiu e subiu até o sexto andar, onde estava afixado o seguinte aviso: A senhora é a visitante número 31.456.012 neste andar. Lamentamos, mas não existem maridos disponíveis aqui. O andar serve apenas para provar que as mulheres são impossíveis de agradar. Gratos por visitar a Loja de Maridos. Eu não concordo com a incompreensão masculina, mas sou obrigado a reconhecer que, em se tratando de marido, a exigência da madame foi exagerada. Ou seja, quem quer muito traz de casa. Para quem sabe ler nas entrelinhas, assim como a loja, marido perfeito é ficção.

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Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras

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