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Vozes da Literatura

A literatura feita de chão, rocha e barro de Maria José de Melo

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Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Foto Arquivo Pessoal

A literatura que pulsa fora dos eixos tradicionais de mercado encontra sua maior potência quando finca suas raízes na realidade crua da experiência humana. Nesta edição da coluna Vozes da Literatura, trazemos o forte depoimento da escritora e geógrafa Maria José de Melo, uma intelectual de origem camponesa do Agreste pernambucano cuja escrita recusa o verniz da ilusão e se assume como “chão, rocha e barro”. Rejeitando categoricamente a ficção em sua produção literária, Maria José utiliza o rigor metodológico e a lente conceitual do marxismo para transformar vivências viscerais e investigações de campo — que vão desde a convivência com a seca até o enfrentamento da violência sexual na infância — em ferramentas urgentes de denúncia social e acolhimento real.

Ao longo desta conversa profunda e provocativa, a autora reflete sobre o papel essencial do livro físico como um refúgio de tempo, profundidade e reflexão em um cenário de consumo digital fragmentado, saturado por performances artificiais nas redes sociais. Das calçadas do Recife Antigo, onde pratica ativamente a venda direta de suas obras independentes, até os bastidores técnicos de sua lapidação textual, Maria José de Melo defende a necessidade de os livros falarem a verdade concreta do povo brasileiro e discute os complexos desafios de organizar e fortalecer os trabalhadores da palavra em nosso país. Uma leitura imperdível para compreender que a escrita profissional e duradoura se valida, acima de tudo, na prática de sua aplicação no mundo.

“A leitura das grandes obras é fundamental para a vida”

Como a sua bagagem como leitora de grandes clássicos molda diretamente a sua voz na escrita criativa, e de que forma ler criticamente ajuda a destravar o seu próprio processo de criação?

A leitura das grandes obras é fundamental para a vida, expandindo o nosso olhar para além do estudo formal. Desenvolvi uma habilidade para a escrita e para a pesquisa que me permite mergulhar nos objetos de forma obsessiva e compulsiva. Quando investigo algo, navego com profundidade total até desvendar o que posso entregar, o que me dá uma base conceitual imensa. No entanto, toda teoria precisa ser aplicada na prática; sem isso, ela se torna vazia. Não adianta ler clássicos, sejam eles teóricos ou literários, se eles não servem para transformar a realidade ou para mudar nossa forma de ver o mundo. Como geógrafa de origem camponesa, convivi com a seca e entendi a importância da transposição do Rio São Francisco muito antes de ela acontecer. Apliquei o Livro Terceiro de O Capital, de Karl Marx, para compreender a renda fundiária no território ribeirinho da Bacia do Alto Paraíba. Foi essa união entre a vivência na terra e o rigor científico que transformou a minha dissertação no meu primeiro livro.

A literatura contemporânea frequentemente flerta com a filosofia. Quais grandes pensadores ou correntes filosóficas servem de bússola moral e existencial para os conflitos que você desenvolve em suas páginas?

A literatura deve flertar com tudo o que foi construído pela humanidade; do contrário, não se compreende o que é literatura. Minha base filosófica é materialista. Aderi ao marxismo logo no primeiro período da graduação em Geografia — não por estética ou encantamento, mas porque percebi que ele é um método universal, aplicável à guerra, à vida e à pesquisa científica. O materialismo histórico dialético é a minha luz guiadora na pesquisa, na escrita e na vida. É esse método, aliado à minha origem camponesa, que permite à minha escrita ser chão, rocha e barro, sem jamais perder a profundidade, a sensibilidade e a resistência.

“Acredito que todas as formas de escrita devem ter espaço, inclusive o texto técnico”

Diante da hegemonia das mídias digitais e do consumo rápido de informação, qual é o espaço e a relevância da crônica urbana hoje, especialmente se comparada ao tempo de mestres como Rubem Braga e Drummond?

Hoje, o grande desafio é convencer as pessoas de que o seu texto — seja uma crônica rápida ou um poema de cinco estrofes — tem valor. O público está saturado de informações genéricas e esvaziadas de conteúdo, capturado por vídeos de quinze segundos que destroem a capacidade de concentração. Essa barreira afeta qualquer gênero literário, curto ou longo. Acredito que todas as formas de escrita devem ter espaço, inclusive o texto técnico. Para romper essa saturação e reconquistar a confiança do leitor, os livros precisam falar mais da realidade concreta do povo brasileiro. As pessoas buscam acolhimento real porque o excesso de aparências nas redes sociais gera exaustão emocional e isolamento. A cobrança por performance constante ignora a vulnerabilidade humana, criando um vazio que só é preenchido por conexões autênticas e soluções práticas para o dia a dia. Os livros são ferramentas poderosas contra esse vazio porque oferecem o oposto da superficialidade das redes sociais: profundidade, tempo e espaço para reflexão.

Sendo a literatura e o jornalismo historicamente entrelaçados no Brasil, como você equilibra o rigor da observação dos fatos com a liberdade da invenção ficcional na sua produção literária?

Eu não escrevo ficção. Minha percepção é de que precisamos ser coerentes com a realidade objetiva e o mais fiel possível aos fatos dentro da literatura. Eu não posso, por exemplo, escrever uma obra ambientada na Amazônia sem realizar uma pesquisa séria sobre a região; é meu dever conhecer profundamente o seu povo, a floresta, a produção literária e os cientistas locais. Isso falta bastante na literatura atual. Sou geógrafa, mas jamais direi que sou engenheira civil para inventar de construir uma ponte, pois sei que ela pode cair. Portanto, o rigor é fundamental: ele não é uma ferramenta exclusiva da ciência, a criação literária também precisa dele.

“Prefiro a literatura crua e o rigor científico como caminhos legítimos de denúncia”

Escrever ficção em tempos de pós-verdade impõe novos limites. Como a literatura pode atuar como um refúgio da verdade humana ou uma ferramenta de denúncia em um mundo saturado de narrativas distorcidas?

A verdade existe e pode ser desvendada por qualquer pessoa que se atreva a ir atrás dela. No entanto, ela precisa ser bem apresentada, pois muitos preferem a mentira para não lidar com os problemas que batem à porta todos os dias. Como não escrevo ficção, posso não estar respondendo diretamente à pergunta sob a ótica da invenção. Mas acredito que fugir da realidade é uma armadilha que deixa o ser humano alienado e anestesiado. Prefiro a literatura crua e o rigor científico como caminhos legítimos de denúncia.

O domínio das técnicas específicas de cada gênero textual liberta ou aprisiona a criatividade? Como o conhecimento formal de estrutura diferencia um autor amador de um escritor profissional?

Depende da sua vulnerabilidade e do seu senso crítico. Eu não tenho paciência para teorias acadêmicas que ficam na gaveta pegando poeira; para mim, a teoria só tem valor se for aplicada à realidade. Comecei a escrever poesia de forma espontânea, sem estudo formal, e o resultado foi o meu segundo livro publicado. No entanto, talvez eu nem me atrevesse a escrever literatura se não fosse geógrafa, se não tivesse o conhecimento técnico sobre a realidade e a experiência do meu primeiro livro. A dissertação de mestrado exigiu de mim um rigor que eu nem sabia que tinha. Mais tarde, na prosa narrativa do meu terceiro livro, enfrentei a necessidade de técnica, lapidação e profundo conhecimento para abordar um objeto brutal: a violência sexual. O rigor técnico é o que torna a escrita profissional. Quando me apresento como geógrafa, a conversa muda, pois o público tende a associar a literatura independente a um passatempo, mas o método científico impõe respeito.

Como você define o seu “lugar de fala” na literatura atual e de que maneira essa posição influencia a receptividade, as críticas e a conexão emocional com o seu público leitor?

Meu lugar de fala é definido pelas minhas travessias: sou de origem camponesa de São Caitano, no Agreste de Pernambuco, e moro há mais de dezessete anos em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. Sou uma mulher titulada, com graduação e mestrado, e essa bagagem dita a forma como sou recebida. Não preciso ostentar teorias acadêmicas nas minhas páginas; minha própria trajetória carrega as minhas bandeiras. Desde a universidade, as pessoas apontam que escrevo com propriedade sobre o que investigo. Eu escrevo o que vivo na prática, inclusive a violência sexual na infância. Desenvolvi uma escrita simples, mas profunda, um estilo lapidado diariamente no diálogo direto com o público, seja nos trabalhos de campo nas áreas camponesas na qual investiguei ou nas calçadas do Recife Antigo, onde faço a venda direta dos meus livros.

O escritor Daniel Machi afirma que os autores precisam abandonar o egoísmo de querer aparecer individualmente em detrimento de algo maior, que é a própria literatura, criando redes de apoio mútuo para se fortalecerem e ganharem visibilidade. Você concorda com essa visão sobre o papel do coletivo no mercado editorial?

Sim, concordo inteiramente com ele. As redes de apoio ou organizações atuais são extremamente superficiais e escassas, embora toda categoria de trabalhadores necessite de uma estrutura coletiva. No entanto, acredito que organizar a classe dos escritores no Brasil seja mais difícil do que organizar os camponeses. Os camponeses sabem exatamente o que querem de forma direta: o acesso à terra. Já sobre os escritores, o que eles querem? A maioria nem sequer enxerga a escrita como uma profissão — o que, claro, implica na falta de regularização e organização coletiva do setor. Precisamos nos entender como uma categoria de trabalhadores assalariados. O grande problema é a crise de identidade profissional: muitos se dizem escritores, mas não exercem essa identidade na prática do dia a dia. Há uma massa que prefere buscar o ego e o deslumbramento de uma estrela de futebol, da música ou do cinema, em vez de lutar pela dignidade do próprio ofício.

Escrever costuma ser um ato solitário, mas as oficinas de escrita criativa e os grupos de coletividade têm crescido. Como a troca de experiências e o feedback desses espaços impactam o refinamento dos seus textos?

Não frequento oficinas presenciais de escrita criativa. Fiz um curso online e não gostei; achei a abordagem acadêmica, restrita e engessada. Quando o professor afirmou que a literatura se resumia à ficção, perdi o interesse (risos). Ninguém merece esses quadrados limitados. Também tenho pouca participação em grupos tradicionais de escritores, pois considero, em sua maioria, uma perda de tempo por serem muitos fechados na própria bolha de escritores. A única exceção foi o Coletivo Escribas, um grupo virtual criado em 2022 que teve grande importância para mim. Naquele período de transição da pandemia, eu buscava interação com outros escritores e foi ali que decidi seguir esse caminho. Hoje, estou convicta de que o público leitor e a nossa própria maturidade são os verdadeiros instrumentos para a evolução da escrita. Lidar com o público toda semana nas calçadas tem me lapidado, indo muito além da prática comercial: essa experiência direta na rua é o que mais contribui para a precisão e o refinamento do meu trabalho. A matéria-prima está bem diante de mim, toda semana, e é ali que tenho a real dimensão do que é rejeitado ou aceito.

“Vejo a minha geração com pouca profundidade e escasso rigor técnico”

O escritor Eduardo Cesario-Martínez defende uma visão otimista de que a melhor geração de escritores é a atual, e que as futuras serão ainda melhores graças à democratização da escrita pela internet. Como você enxerga esse impacto da tecnologia na qualidade da nova produção literária?

Não sei qual é o recorte utilizado ou onde esse escritor está inserido. Mas, diante da minha prática de pesquisa na universidade pública e do diálogo direto com o leitor nas ruas, preciso discordar. Nem na literatura, muito menos na ciência, a geração atual supera as anteriores em qualidade, rigor e profundidade. Não encontrei na atualidade uma Carolina Maria de Jesus, uma Jane Austen, um Guimarães Rosa ou um Machado de Assis; e na ciência ocorre o mesmo fenômeno. Pergunto a vocês: já encontraram nesta geração uma Marie Curie, um Karl Marx, um Charles Darwin ou um Albert Einstein? O que vemos hoje é a escassez de profundidade mascarada pelo excesso de produção e postagens. Vejo a minha geração com pouca profundidade e escasso rigor técnico. Falta voz própria e domínio da escrita e da pesquisa científica; o que observamos é o desejo de reproduzir fórmulas dos Estados Unidos, gerando um cenário saturado de cópias e generalizações. O que houve, de fato, foi uma democratização das temáticas: assuntos antes silenciados hoje ganham espaço, embora ainda precisem de mais desenvolvimento. Há mais espaço para se declarar escritor ou escritora, mas falta profundidade na execução. Nesse cenário, a Inteligência Artificial entra como uma ótima ferramenta, mas ela sozinha não escreve nada; precisa do comando humano. A IA pode ajudar na síntese e na aceleração da produção literária, mas é obrigatório ter a base teórica para saber como utilizá-la.

A escrita criativa é um espelho ou uma fuga? De que forma o seu trabalho literário funciona como uma ferramenta de diálogo interno com as suas próprias angústias e, ao mesmo tempo, de debate com os problemas do mundo?

A escrita para mim é o meu próprio espelho, mas é, acima de tudo, uma transmutação. Eu vivi a seca e falei dela, mas recusei o vitimismo, pois sei que as novas gerações têm a força para mudar a realidade na qual vivemos. Transformei os traumas da minha infância em livros; transformei a dor em ouro. Não fiquei apenas narrando o que aconteceu comigo: eu desvendei o fenômeno da violência sexual para que adolescentes possam ler minhas obras e não repitam esses mesmos ciclos com seus futuros filhos. Compreendi que meus medos, minhas vulnerabilidades e minhas frustrações não são isolados ou individualmente meus, mas fazem parte do sofrimento humano coletivo. No entanto, para transformar essa dor em denúncia social, preciso de método e de teoria fundamentada — e é na ciência que encontro essa base.

Muitos autores constroem carreiras polímatas, dividindo-se entre outras profissões (como a ciência, o direito ou a educação) e as letras. Como a sua atuação fora das páginas alimenta a profundidade e a diversidade temática dos seus cenários e personagens?

Desde o início da minha jornada, decidi ser exclusivamente escritora; não sei me dividir. Se assumo esse ofício, entrego-me por inteiro. Posso dizer que também sou vendedora, mas vendo unicamente a minha própria obra. Nos anos de 2021 e 2022, ainda realizava algumas atividades pontuais na academia, mas isso me gerava profunda frustração. A partir de 2023, bati o martelo: dedico-me à escrita em tempo integral. É difícil, mas ninguém prometeu facilidades. Minha bagagem como geógrafa e mestre em Serviço Social não disputa espaço com a literatura; ela atua como fundação, ajudando-me na coleta de dados, no rigor do texto e na estratégia de vendas nas ruas. Inclusive, o meu quinto livro nascerá exatamente dessa pesquisa de campo: será sobre a minha experiência direta com o público nas calçadas do Recife Antigo.

O mercado editorial atual exige que o autor seja também o seu próprio divulgador nas redes sociais. Como criar uma presença digital autêntica e engajar leitores sem deixar que as métricas de internet corrompam a essência e a profundidade da sua literatura?

Esta é uma questão fundamental. Atualmente, o mercado supervaloriza o ambiente digital, impondo a ilusão de que um escritor precisa de cem mil seguidores para ter relevância social. Isso é de um reducionismo cego. Se observarmos os autores de grande visibilidade hoje, veremos carreiras construídas ao longo de mais de vinte anos, muitas vezes vindas de outras profissões. É o caso de Itamar Vieira Junior, que foi geógrafo do INCRA, ou de Jeferson Tenório, que foi professor da rede pública no Rio Grande do Sul; ambos hoje se dedicam integralmente às letras. Não consigo enxergar o topo do algoritmo como o objetivo principal da divulgação das minhas obras. A rede faz parte do processo, mas, ao meu ver, foi imensamente mais importante ter passado pela universidade pública e pela militância para chegar à literatura com base e formação sólida. Tenho redes sociais, mas não invisto na espetacularização da minha imagem. Recentemente, meu Instagram foi hackeado e eu nem me importei: criei outro perfil e recomecei do zero.

A casa onde a escritora Maria José de Melo nasceu

Pensando nos espaços democráticos de publicação, como o Café Literário ou portais de jornalismo cultural, qual a importância desses canais na oxigenação do mercado e na revelação de novos talentos que enfrentam barreiras nas grandes editoras?

Com certeza esses canais alternativos e independentes são de extrema importância para revelar autores que estão às margens do mercado e não encontram espaço nas vias tradicionais. No entanto, se esses canais gerarem uma relevância muito abrupta, podem causar um desequilíbrio na carreira. Na música, por exemplo, o cantor pernambucano João Gomes viralizou no TikTok, ganhou destaque nacional rapidamente, mas hoje estuda e se aprofunda na cultura sertaneja para amadurecer e transcender a imagem do adolescente da internet. Todo artista precisa de meios de divulgação, mas necessita, acima de tudo, de fundamento e de raiz. O canal midiático ou o jornal servem como instrumentos para ganhar o mundo, mas o tempo logo passará a exigir profundidade e rigor técnico. O escritor precisa de muito chão, pois o sucesso repentino é difícil de sustentar. Quando fiz uma live com o influenciador e historiador João Carvalho no YouTube sobre o meu primeiro livro, fiquei emocionalmente desregulada por vários meses e em seguida gerou uma frustração enorme; não tinha a maturidade necessária para receber tantos elogios e críticas simultâneas. Percebi que gente que antes me ignorava estava estendendo o tapete para, logo em seguida, puxá-lo. Tudo na arte precisa de tempo e maturidade.

Para encerrarmos, se você pudesse escolher apenas uma única mensagem, angústia ou reflexão para imortalizar na mente de quem lê a sua obra hoje, qual seria?

Deixo a reflexão central do meu quinto livro, Recife Antigo: onde o meu Norte encontrou porto, que estou escrevendo atualmente: Não é o povo que precisa estar à altura dos livros; são os livros que precisam ser dignos da força e da realidade do povo brasileiro. A arte, a literatura e o livro devem ser direitos básicos, como o pão ou a terra. A literatura brasileira merece o brasileiro; a arte popular pertence, por direito, ao povo.

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Maria José de Melo
Escritora, Colunista e poetisa do Agreste de Pernambuco 
Mestre em Serviço Social (UFAL)
Especialista em Docência com Ênfase em Educação Básica (IFMG)
Graduada em Geografia (UFPE)
Instagram: @mariademelo_escritora
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