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Pão

Trigo de semeio

Publicado

Autor/Imagem:
Luiz Martins da Silva - Texto e Aquarela

I
O pão são dois.
Terem, ambos, de ser
Para o ser bom e são.

II
Um vai da boca ao chão,
Ressonância de matéria.
Outro, assonância etérea.

III
Os dois, consonantes
De sabores e saberes.
Aos poucos, o sábio.

IV
Trigo e pão, fermento,
Sustento de jornadas.
Um, pele. Outro, apelo.

V
Alguém, bem, já disse:
Somos pó. Mas, também,
Pensamentos, palavras e obras.

VI
Acreditem, ou não, há.
Enlaçadas, duas moradas.
Aqui, e agora, a transitória.

VII
Deus, não se prova.
Nem joga dados.
Só, acena, galáxias.

VIII
Ser, por enquanto, o que somos.
Sementes, culto para colheitas.
Paz e pão, quem dera, bem de todos.

IX
Um lavra, aqui, rente ao rés.
Outro, para o Além, meeiro.
Ora, honra, sermos parceiros.

X
Assim, o combinado, não escrito.
Sabermos, sabemos, foi inscrito:
Caligrafia implícita de luzes.

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