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Copa do Mundo

Sorte e mandinga podem levar Brasil às oitavas

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Autor/Imagem:
Armando Cardoso - Foto de Arquivo

Com poucas táticas e quase nenhuma técnica, a Seleção Brasileira venceu o humilde e amador Haiti. Ufa! Ufa! Pé de pato, sapo preto, mangalô, três vezes. O placar de 3 a 0 foi relativamente largo, mas absolutamente curto em se tratando, comparativamente, de uma batalha entre um Leão e um galo garnisé. O Brasil venceu com um futebol insosso, espetacularmente apático e, por isso, não convenceu, embora tenha se apresentado infinitamente melhor do que durante a pelada contra o Marrocos.

Como patriota sem a necessidade de aparecer, me preparei para assistir, mas não gostei. Felizmente, o Haiti não é aqui. É pra lá de Marrakesh. Perdão pela falha. Marrakesh é uma vibrante e histórica cidade do Marrocos, país com o qual os brasileiros estão até o pote de mágoa. Lamentável, mas a Seleção permanece a mesma das Eliminatórias. É Vinícius Júnior e mais dez. Às vezes, mais 20. Sem ele, não temos brilho, cor, malemolência, gingado e nem vontade de vencer.

Será culpa de Neymar Júnior, aquele não foi, não é e nunca será um craque acima de qualquer suspeita? Acho que não, porque, sem ele, pelo menos ainda não perdemos. Voltando ao confronto com o Haiti, o resultado é que meu day after ficou apinhado de conclusões nada republicanas para um brasileiro de glórias futebolísticas e de quatro costados como eu. Sem futebol suficiente para enfrentar as atuais potências esportivas, me restou acreditar em uma única possibilidade mais palpável: a sorte.

O problema é que a sorte só ajuda os audazes e só sorri para os fortes. Força e audácia é tudo que nos falta neste início de Copa do Mundo. Dizem que a sorte não existe. Então, o que mais pode explicar o sucesso de nossos concorrentes? Futebol, garra e o prazer de jogar. Não temos mais nada disso. Aliás, nos gramados, também nos falta o 13 que tantas alegrias já nos deu no futebol. Graças a Deus, o número da alegria e da paz continua firme e forte na política.

Quem não se lembra dos bons conselhos do eterno Zagallo (13 letras). Além de místico e sagrado, na cultura do campeoníssimo ex-técnico e ex-jogador de futebol o 13 era considerado símbolo de ascensão. Hoje, o numeral cardinal não passa de um fato histórico, um código legal ou simplesmente uma curiosidade dos tempos dourados do futebol. O penúltimo deles foi nos Estados Unidos (13 letras), em 1994, quando, pela quarta vez, gritamos Brasil campeão (13 letras). Faz 24 anos que vivemos como pentacampeões (13 letras).

Lembrando Nelson Rodrigues, com sorte a gente atravessa o mundo, sem sorte não atravessamos a rua. Azar o nosso que Carlo Ancelotti e Vinícius Junior, nossas principais estrelas, têm nomes com 14 letras. Como nunca conseguiremos convencer um rato de que um gato traz boa sorte, a CBF poderia ter negociado com a Nike e com o Guaraná Antarctica a convocação de qualquer um que não fosse Neymar Junior. Ainda é cedo para afirmar que não passaremos das oitavas de final. Como eu acredito, que venham os escoceses, prioritariamente os conhecidos como puro malte. Depois deles, só Jesus na causa. Resumindo, Alea jacta est (a sorte está lançada)

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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