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O setênio

Cipó de aroeira

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Autor/Imagem:
Cadu Matos - Foto Divulgação

Minha amiga Edna Domenica, companheira no Café Literário – Notibras, presenteou-me com o livro O Setênio, de sua autoria. São textos que refletem sua visão sobre os sete anos de desgraças, do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, até a derrota eleitoral do presidente-miliciano e de sua desastrada tentativa de golpe de Estado.

Depois de se apresentar, no texto Uma sobrevivente do setênio, Edna indaga, no final do segundo texto do livro, Confissão: “A linguagem caricatural para traçar perfis e relatar eventos seria tolerada?”

A resposta, dada por mim e por todos os demais leitores da obra, é um retumbante SIM.

Edna investe contra os desmandos criminosos desse período triste não apenas com as armas da crítica, mas com um sarcasmo impiedoso – a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar. Há textos delirantes (algo mais que positivo, a meu ver), como O crush da professora “X” Maria, em que uma personagem caricata, Dá Ares, proclama, toda pimpona: “Eu tive uma experiência na árvore!”. E também crônicas comoventes, entre elas Nunca iria acontecer com você!, com seus quatro parágrafos inesquecíveis.

Outro ponto alto do livro é seu compromisso com o povo brasileiro. Como escreve a autora, em Português para quem?, “É um povo que ajuda o que tem menos, que divide a fome. E multiplica esperança em dias melhores. Quem canta hino pra pneu e reza para botas de milicos não sabe quem é esse povo”,

Edna sabe. Eu também sei. Por isso, dirijo este boi de reisado a O Setênio, um livro-documento de uma época triste. Mas que não vai voltar.

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