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Talento e simpatia

Pequeno na altura, Messi é um gigante com a bola

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Autor/Imagem:
Armando Cardoso - Foto de Arquivo

Rei de copas e das copas, maior artilheiro do torneio intercontinental e, agora, artilheiro da Copa do Mundo de 2026, Lionel Messi provavelmente será coroado rei dos Estados Unidos, Canadá e México. Merecido para um ser humano íntegro, com família consolidada, dedicação extrema ao trabalho, mentalidade vencedora, paixão pelo esporte que pratica e com o qual se consagrou, inspiração para crianças, adolescentes, jovens e velhos, resiliente diante das derrotas e, sobretudo, consciente de sua importância para o clube e para o povo que representa.

Com todos esses predicados, Lionel Andrés Messi Cuccittini destila talento, simpatia e galhardia por onde passa. Por isso, pouco me importa sua nacionalidade, tampouco o fato de sermos adversários históricos no futebol, na qualidade dos feitos e atualmente na política. Mantidas as desconfianças na Seleção Brasileira de Carlo Ancelotti e de Neymar, não fosse Javier Milei talvez eu torcesse publicamente pelo tetracampeonato da Argentina. Como Milei me impõe mais essa diferença, torcerei por Cabo Verde ou, quem sabe, pelo Marrocos.

Assim como já ocorreu com Pelé, Rivelino, Gérson, Tostão, Zico e vários outros jogadores canarinhos, é difícil achar adjetivos para descrever a preocupação de Messi em se mostrar filho, marido e pai dedicado e sua genialidade com a bola e com as palavras. Ser pequeno no tamanho certamente o ajudou a ser grande no futebol. Antes de ostentar iates, helicópteros, mansões variadas e automóveis de luxo em série, Lionel diz para quem quiser ouvir que, ser o melhor, não é divulgar seu orgulho pelo mundo, mas “me sentir orgulhoso da camisa, da minha perseverança e da minha glória”.

Não à toa, todos que se referem ao craque argentino são unânimes em afirmar que, mais importante do que ser o melhor do mundo, ele sempre quis ser uma boa pessoa. E é, mesmo para os que teimam em vê-lo como o cara que, de longe, superou um contemporâneo brasileiro. A diferença de Messi para os colegas de profissão que se acham seres superiores é que, seja na seleção, no clube e na vida, ele nunca foge da vontade de se superar. Não fosse um gênio da pelota, o jogador possivelmente usaria o carisma para alcançar o topo da política portenha.

Diego Maradona também poderia ter feito isso, mas preferiu virar pó. Coisas de um passado que precisa ser enterrado. Lionel Messi é o exemplo vivo de que os argentinos, muito mais do que os brasileiros, sempre foram capazes de superar pequenas e grandes adversidades. Enquanto não pensa em se dedicar a outros afazeres fora das quatro linhas do futebol, o menino de Rosário não se cansa de repetir que o sucesso “é a soma de pequenos esforços repetidos dia após dia”. Fosse um poeta, diria que, nesse mundão de cópias, Messi é único porque é ele mesmo.

Como não elogiar um jogador que não se machuca, não cai, não tenta enganar juízes e que, distante dos estádios, se dedica exclusivamente à família. Uma pena o Brasil não dispor mais de desportistas como foram e são Pelé, Garrincha, Didi, Zico, Ayrton Senna, Ronaldo Fenômeno, Gustavo Kuerten, Éder Jofre e Rebeca Andrade, Adhemar Ferreira da Silva e Robert Scheidt, os quais boa parte do mundo observou, criticou, invejou, mas, no fim, imitou. Como jogador de futebol, Lionel é grande, enorme, mas jamais será igual a Edson Arantes do Nascimento.

Além de tricampeão mundial e das honrarias recebidas em todo o planeta, Pelé é lembrado por ter conseguido pausar, em fevereiro de 1969, a sangrenta Guerra Civil da Nigéria. O conflito foi paralisado por 48 horas, de modo que as tropas e a população local pudessem assistir à vitória do Santos por 2 a 1 contra a Seleção do Meio Oeste Africano. Com apenas 39 anos, Messi ainda tem tempo de sobra para desdizer os que tentam dizer até onde deve ir seu sonho. Será que ele ainda joga a Copa de 2030? Se depender dele, com certeza sim. Os adversários que se cuidem.

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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