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Cantinho do Leitor

A jornada e as preferências do leitor Cleidson Diniz Teixeira

Publicado

Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Foto Arquivo Pessoal

O espaço Cantinho do Leitor recebe hoje um entusiasta da literatura cuja própria trajetória de vida se confunde com uma rica narrativa geográfica. Nascido no interior de Minas Gerais, em Visconde do Rio Branco, e criado no ritmo pulsante da metrópole paulistana, Cleidson Diniz Teixeira carrega em sua bagagem cultural vivências que vão da calmaria mineira à efervescência de passagens por Londres. Fascinado pela ironia fina e pela profundidade psicológica de Machado de Assis, ele encontrou no ambiente digital do Café Literário um oásis diário de cultura e um espelho para as suas próprias reflexões sobre o tempo, o pertencimento e as distâncias.

Nesta entrevista exclusiva, Cleidson compartilha como as crônicas, contos e poesias publicados no portal moldam sua visão sobre a sofisticada e urgente literatura independente nacional. Entre memórias afetivas e conexões literárias que transformam telas digitais em pílulas de oxigênio no caos urbano, ele nos convida a embarcar em uma jornada onde o regionalismo brasileiro e a vivência cosmopolita se encontram na mesma xícara de café. Acompanhe o bate-papo a seguir.

“Há uma sofisticação crua e urgente nesses novos autores que me encanta”

Como o hábito de ler e acompanhar as publicações no Café Literário moldou a sua percepção sobre a literatura independente nacional?

Mostrou-me que o Brasil profundo e o Brasil contemporâneo continuam pulsando com uma força narrativa impressionante. Como alguém que nasceu no interior de Minas (Visconde do Rio Branco) e cresceu na imensidão de São Paulo, sempre busquei essa dualidade na arte. O Café Literário provou que a literatura independente não deve nada aos grandes clássicos do mercado; há uma sofisticação crua e urgente nesses novos autores que me encanta.

“A crônica, em especial, tem esse poder de paralisar o tempo”

Entre os diversos gêneros publicados no Café Literário, qual deles mais desperta a sua vontade de ler até a última linha e por quê?

Os contos e as crônicas. Como sou fascinado pela ironia fina e pela análise psicológica de Machado de Assis, adoro narrativas breves que conseguem desatar os nós da alma humana em poucas páginas. A crônica, em especial, tem esse poder de paralisar o tempo, o que é um bálsamo para quem vive no ritmo frenético que o dia a dia exige.

Que tipo de conto, crônica ou poesia mais reflete o seu cotidiano e as suas vivências aqui no Brasil?

Aquelas que tratam do choque de pertencer a múltiplos lugares. Vivo em São Paulo desde menino, mas guardo o silêncio de Minas na memória. Já morei em Londres na juventude e carimbei o passaporte em vários cantos do mundo, então as crônicas urbanas que misturam a solidão das grandes metrópoles com a nostalgia do que ficou para trás falam diretamente ao meu peito. Refletem a pressa paulistana cruzada com o olhar de quem já viu o mundo, mas ainda se reconhece no cheiro de café passado.

Já aconteceu de um texto publicado no site mudar a forma como você enxerga algum aspecto da sua própria vida?

Sim. Recentemente, li uma crônica sobre o “tempo invisível” que gastamos nos deslocamentos diários. Vivendo na correria de São Paulo, muitas vezes encaro o trânsito ou o metrô como um vácuo produtivo. O texto me fez resgatar os tempos de jovem em Londres, onde o caminhar e o observar faziam parte da poesia da vida. Aprendi a usar esses minutos cinzentos do cotidiano para ler mais poesia e observar os rostos ao redor, bem ao estilo do que o próprio Bruxo do Cosme Velho faria.

“Eu adoraria ler uma série de crônicas sobre o olhar estrangeiro dentro do próprio país”

Se você pudesse pedir para os escritores do Café Literário abordarem um tema específico, qual seria?

Eu adoraria ler uma série de crônicas sobre o olhar estrangeiro dentro do próprio país. Como é para um mineiro de Visconde do Rio Branco se provincializar em São Paulo, ou como a nossa literatura é enxergada lá fora. Uma ponte literária entre o regionalismo brasileiro e a vivência cosmopolita.

Qual foi o autor ou autora revelado recentemente no portal cuja escrita mais chamou a sua atenção e por quê?

Gosto muito dos textos do próprio Eduardo Cesario-Martínez, que sei que é editor do Café ao lado do também excelente Daniel Marchi. A capacidade do Eduardo de amarrar contos e crônicas com um olhar maduro sobre a passagem do tempo — algo bem visível no seu livro mais recente — tem uma cadência muito honesta. Lembra-me um pouco o desengano bem-humorado que tanto aprecio nos clássicos, adaptado para a velocidade da internet. E destaco aqui também o Gilberto Motta, que possui uma maneira despojada de contar os causos de gente simples, de pescadores, comerciantes. Ah, também tenho lido com bastante interesse as entrevistas dos escritores. É sempre bom saber um pouco mais sobre esses mestres da escrita.

“O formato digital no Notibras é o oásis no meio do caos”

Para você, qual é a principal diferença entre ler um texto em formato digital no Notibras e acompanhar um livro físico?

O livro físico é o templo, o ritual do fim de semana, onde gosto de abrir meu Machado de Assis com calma. Já o formato digital no Notibras é o oásis no meio do caos. Ele salva o meu dia a dia. É a pílula de cultura que consumo na tela do celular entre uma reunião de trabalho e outra, permitindo que a literatura oxigene a minha rotina quando não posso carregar o peso de um volume na mochila.

Você tem o costume de compartilhar os contos e poesias lidos nas suas redes sociais para incentivar outras pessoas?

Sempre que posso. Acredito que quem teve o privilégio de viajar pelo mundo e acumular bagagem cultural tem o dever de espalhar boas leituras. Quando encontro um conto precioso no Café Literário, envio no grupo de amigos ou compartilho profissionalmente. É a minha forma de dar palco aos novos talentos brasileiros.

 Qual foi a última história lida aqui que te deixou com aquela sensação de “quero mais” ou gerou uma reflexão profunda?

Foi uma poesia curta que tratava da finitude das coisas através da imagem de uma xícara de café que esfriava na mesa enquanto o dono olhava pela janela do apartamento. Aquela imagem minimalista me transportou para tantas esquinas por onde passei, de Minas à Europa, e me fez pensar na beleza do efêmero.

Se você tivesse a oportunidade de escrever e publicar o seu próprio texto no Café Literário, sobre o que ele falaria?

Escreveria uma crônica intitulada O Menino de Visconde do Rio Branco que pegou o metrô em Londres e desembarcou na Avenida Paulista. Seria um texto sobre como a literatura e as distâncias geográficas nos transformam em múltiplos personagens de nós mesmos, sem que percamos a nossa essência original.

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Caro leitor, caso você também queira ser entrevistado para o Cantinho do Leitor, entre em contato conosco através do e-mail: concursocontosecronicas@notibras.com

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