Curta nossa página


Copa e eleições

Trump, Flávio e Dudu querem camisa de Lula

Publicado

Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto Editoria de Imagens/IA

Vivendo in loco os “louros” da 23ª Copa do Mundo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não consegue dormir, acordar e sonhar sem pensar em cutucar com vara curta eventuais adversários ou inimigos. O Brasil ainda não é a bola da vez, mas certamente será logo após o encerramento do torneio intercontinental de futebol. Recentemente, ao mentir a respeito da vitória sobre os aiatolás do Irã, o líder republicano compartilhou um texto na Truth Social, adiantando que, após Venezuela, Nicarágua, Irã e Cuba, as eleições do Brasil serão seu próximo desafio. É o anúncio de mais uma ingerência maldita.

Que venha com seus tanques, blindados e porta-aviões de última geração, mas que venha animado, pois estaremos com as atiradeiras da “potência política da região” prontas e apontadas para qualquer um que ouse interferir nas eleições do país. Batido, ultrapassado e já engolido pelo clã Bolsonaro, o argumento de Trump continua sendo a integridade do sistema eleitoral brasileiro. Aparentemente, ele tem dúvida quanto à condução livre e justa da disputa entre Luiz Inácio e o senador Flávio Bolsonaro.

Sem margem de erro para um e outro lado, afirmo que esse suposto problema também não é para bicudos ou estranhos. Nossas leis são soberanas e nossa Justiça absolutamente capaz de solucionar eventuais adversidades. No artigo publicado inicialmente no site americano NewsMax, Trump diz que não gosta e nem desgosta de Lula. “Realmente não penso nele. Não estou nem aí. Mas agora ele é um tipo de pessoa diferente. Muito volátil”, disse Trump. Como não costuma dar ouvidos a baboseiras, Lula não mordeu a isca, mas retrucou se limitando à questão da soberania. E fez muito bem.

Entretanto, metade mais um dos eleitores brasileiros estão carecas de saber que a recíproca é prá lá de verdadeira. Tão verdadeira que o silêncio do líder petista é muito mais eloquente do que as incorreções que Donald Trump elenca acerca do dia a dia do Brasil. É claro que ele recebe as informações que interessam à extrema-direita. Todavia, com o aparato de ingerências de que dispõe, ele bem que poderia checar antes de lamentar, por exemplo, a prisão de “Bolsonaro Júnior”.

Vale registrar que Eduardo Bolsonaro foi condenado à prisão pelo STF por coação no curso do processo da trama golpista.  Curioso é que sua proximidade com o clã Bolsonaro não lhe permitiu saber que o ex-deputado segue livre e vivendo nos EUA. O mais interessante foi confundir Eduardo com Flávio. Sobre ser ou não volátil, não custa lembrar que Trump e Lula já tiveram reuniões “muito produtivas” e que, em uma delas, o presidente dos EUA chegou a divulgar que havia “pintado um clima entre eles”. Ou seja, a carapuça não é para Luiz Inácio.

Sobre o processo eleitoral, o mundo inteiro sabe quem pode ensinar quem. Como diz Lula, a verdade é que, se Trump só conhece o Brasil por meio da família Bolsonaro, ele não conhece nada do Brasil. Em tempos de Copa do Mundo, o fato é que, como ponteiro, centroavante ou meia-esquerda, o moço do topete amarelo só tem dado bola com relação ao Brasil e aos brasileiros. Conforme nossos “técnicos” eleitorais, Donald parece disputar com os irmãos Bolsonaro quem será o “camisa 10” do candidato petista. Os mais céticos chegam a afirmar que, quanto mais eles espezinham, mais Lula se aproxima do quarto mandato. Quem sobreviver às fakes de lá e de cá, certamente verá o que eles não querem nem sonhar.

…….

Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.