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Sopa de letrinhas

Consoantes complexas deixam narradores à beira de um ataque de nervos

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Autor/Imagem:
Armando Cardoso - Foto Editoria de Artes/IA

Entretenimento puro, a Copa dos Estados Unidos, do México e do Canadá também será sempre lembrada pela sopa de letrinhas servida pelas 48 seleções, notadamente as africanas e as do Leste Europeu. Não está sendo difícil rir com a terrível dificuldade de nossos narradores e comentaristas quando, por exemplo, se dirigem aos atletas com nomes e sobrenomes impronunciáveis, alguns com combinações tão curiosas que mais parecem uma crônica em hebraico, com pitadas de mandarim e japonês. É o inferno batismal assustando até o Diabo nos microfones.

Não bastassem os nomes temerosos, uma rápida consulta às bases futebolísticas me deu a certeza de que os poloneses Artur Jedrzejczyk, Jakub Błaszczykowski, Lukasz Fabiansku e o grego Sokratis Papastathopoulos são amplamente considerados os jogadores de futebol profissional com os nomes mais complicados e famosos do mundo do esporte. Suas extensas sequências de consoantes desafiam frequentemente a narradores e torcedores da Europa, da Ásia, das Américas, da Oceania e, principalmente, dos países de língua portuguesa.

Para os locutores brasileiros, mais que um desafio, o pesadelo está na quantidade de consoantes juntas, letras sem vogal e na fonética bem diferente do português, o que exige muito fôlego na hora de chamá-los. Outros nomes célebres e que costumam travar a língua de qualquer um são Khvicha Kvaratskhelia (atacante georgiano do Napoli), Wojciech Szczęsny (goleiro polonês), Bastian Schweinsteiger (ex-meio-campista alemão), Dmytro Chygrynskiy (zagueiro ucraniano e ex-Barcelona).

Em que pese o iminente risco de demissão antes da última letra, o caminho mais fácil seria soletrá-los. Se há nomes difíceis, obviamente que também há os engraçados. Já listei alguns semana passada, mas são tantos que decidi reincluí-los nessa bizzara lista. Por exemplo, como não achar surreal um homem atleta ser nominado em seu país (Curaçao) e agora no mundo por Sherel Floranus. Com toda razão, dirão os leitores e eleitores que muito pior são os nomes dos marroquinos Ali Maamar e Bilal El Khannouss. Eu endosso.

Despreocupados com a sonoridade e a curiosidade que seus nomes geram nos gramados norte-americanos, canadenses e mexicanos, o tcheco Tomas Ladra, os sul-africanos Khuliso Mudau e Kamogelo Sebelebele e os japoneses Takefusa Kubo e Yukinaru Sugawara não estão aí para os fofoqueiros de plantão. Tem aqueles que estão faturando horrores com eventuais alcunhas. É o caso do experiente goleiro caboverdiano Josimar Dias, o popularíssimo “Vozinha”. Ele e seu apelido se tornaram marcantes nas redes sociais de todo o planeta.

A ideia de elencar nomes impronunciáveis de jogadores seria uma SACANAGEM com o futebol vistoso apresentado por alguns, entre eles o meio-campista marroquino Bilal El Khannouss, responsável direto pelo nó nos volantes brasileiros. Saudades dos nossos famosos craques com apelidos curiosos: Pelé, Zico, Fenômeno, Tostão, Júnior Capacete, Garrincha, Enciclopédia, Furacão e Caju, entre muitos outros. Que não ouçam os chutadores de bola Alegria, Testinha, Bombado, Pikachu, Jackie Chan, Magal, Pitbull, Bigode, Rato, Ganso, Lacraia e Tilápia. Deus me livre.

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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