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Rodoviária do Plano Piloto

Foragido do caso “Vampiro do Itapoã” é capturado

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Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Foto Divulgação

Um homem de 41 anos, foragido do sistema prisional e condenado a 16 anos de reclusão por um homicídio de grande repercussão, foi capturado pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) na manhã desta sexta-feira (26). A prisão de Hilcimar Lopes da Silva ocorreu no coração de Brasília, na plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto. Ele é um dos envolvidos no brutal assassinato de Heraldo José de Carvalho, de 43 anos, crime que ficou conhecido na crônica policial local como o caso do “Vampiro do Itapoã”.

A localização do criminoso foi viabilizada pelo sistema de videomonitoramento do terminal, que emitiu um alerta de reconhecimento facial ao detectar a presença do procurado no mezanino. Como o aviso tecnológico inicial não continha a fotografia do suspeito, os policiais militares agiram rapidamente e realizaram buscas em fontes abertas na internet. Por meio do acesso a reportagens antigas sobre o homicídio, as equipes conseguiram confirmar as características físicas de Hilcimar, direcionando as buscas com precisão dentro do terminal rodoviário.

Os policiais abordaram o suspeito no exato momento em que ele recarregava um aparelho celular no mezanino da rodoviária. Ao perceber a ação policial, o homem tentou enganar a equipe identificando-se com o nome de seu irmão e alegando que não lembrava de dados pessoais básicos, tais como o número do seu CPF e a data de nascimento. A farsa, contudo, foi desfeita durante a busca pessoal, quando os militares localizaram a sua carteira de identidade original escondida entre os seus pertences.

Confrontado com as evidências de sua verdadeira identidade, Hilcimar Lopes da Silva acabou admitindo que mentiu aos policiais por medo de voltar para a cadeia. Ele confessou que havia fugido recentemente da unidade prisional onde cumpria a sua pena em regime fechado. Após a consulta formal aos sistemas de segurança pública, os militares confirmaram a existência de um mandado de prisão preventiva em aberto contra ele, expedido pelo Tribunal do Júri do Paranoá. O capturado foi imediatamente conduzido à 5ª Delegacia de Polícia (Asa Norte) para o cumprimento da ordem judicial.

O crime que originou a condenação ocorreu em 2019 e foi motivado por uma disputa fútil de trabalho na região administrativa do Itapoã. O mandante do homicídio, Eduardo de Araújo da Conceição, havia contratado a vítima para construir uma cerca em seu lote, pagando pelo serviço com duas pedras de crack. Como Heraldo José de Carvalho não realizou a obra no prazo estipulado e afirmou que não poderia fazê-la naquele momento, Eduardo, acompanhado de Hilcimar, de Francisco das Chagas Araújo e de um menor de idade, decidiu cobrar a dívida com violência extrema.

A denúncia apresentada pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) detalhou que a vítima foi morta com golpes cruéis de barra de ferro na cabeça. Após a consumação do assassinato, Eduardo ordenou que Hilcimar e o adolescente ocultassem o cadáver, que acabou sendo jogado em uma tubulação de esgoto da cidade. O caso ganhou contornos macabros e o apelido de “Vampiro do Itapoã” porque uma testemunha chave relatou à polícia que Eduardo havia ingerido o sangue da vítima logo após a execução no local.

As investigações da Polícia Civil, conduzidas na época pela delegada Jane Klébia, reforçaram o perfil perturbador do mandante do crime. Durante as buscas na residência de Eduardo de Araújo da Conceição, os agentes encontraram diversos gatos presos, um cachorro morto e vísceras de animais espalhadas. Vizinhos e conhecidos confirmaram que o suspeito mantinha o hábito de sacrificar e beber o sangue de animais domésticos.

A condenação dos réus foi fundamentada por motivo fútil e emprego de meio cruel. Enquanto Francisco das Chagas Araújo foi condenado a 13 anos de reclusão pelo espancamento, Hilcimar Lopes recebeu a pena de 16 anos por sua participação e pela ocultação do cadáver. O mandante Eduardo também foi sentenciado ao regime fechado, e o menor envolvido no ataque acabou punido com medida socioeducativa de restrição de liberdade por três anos. Com a prisão de Hilcimar nesta sexta-feira, ele retorna ao sistema penitenciário para dar continuidade à sua pena.

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