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POESIA CÓSMICA

COMETA ERRANTE: EURICO DEIXA A TERRA PARA RIR SOB SATURNO

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Autor/Imagem:
Renan Damázio - Francisco Filippino

Eurico sentiu o pesar das horas como um fardo.
Véu pálido sobre a alma exaurida.
Cada amanhecer era um suspiro sem chama,
Um teatro de névoas onde nada mais ardia.

Máscaras sem fim caíam no mundo de ilusões.
A Terra não lhe agradava mais.
A vida já era cinza.
Sonhos não existiam.

Num instante furtivo, na brisa de outono,
Rompeu o encanto do efêmero.
Despediu-se da quimera, sem mágoa,
Como quem abandona o chão por um voo audaz.

Agora, como cometa errante,
Surge no firmamento de uma esperança estelar.
Seu coração agora pulsa,
No ritmo das estrelas que o acolhem sem fim.

E, enfim, liberto, Eurico, qual astro andarilho,
Despede-se do mundo,
À luz de um sonho real que jamais se extingue.

Escreve nas constelações nossas mentiras.
Expõe nossos pecados e crimes.
Ri dos patéticos desejos carnais.
Deita sob os anéis de Saturno,
E zomba de nós, os animais.

…………….

Renan Damázio, carioca, é advogado, professor e poeta, autor do livro “Emoções e Reflexões”. @renandamazio

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