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Memórias

Saudade da infância na fazenda

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Autor/Imagem:
Luzia Couto - Foto Francisco Filipino

Há lembranças que não se apagam, mesmo quando o tempo insiste em cobrir tudo com poeira. A infância na fazenda é uma dessas memórias que permanecem vivas, como se ainda fosse possível sentir o cheiro doce dos frutos maduros no pomar. Era ali, entre galhos carregados de jabuticabas e mangas, que a vida parecia simples: bastava estender a mão para colher a alegria.

No terreiro de terra batida, a noite se transformava em palco. As luas cheias iluminavam o chão, e cada brincadeira ganhava contornos mágicos. O riso das crianças se misturava ao canto dos grilos, e o tempo corria sem pressa, como se soubesse que aqueles instantes eram eternos.

Depois das rezas, quando o silêncio se assentava sobre a casa, vinham as histórias dos avós. Vozes pausadas, cheias de sabedoria, que carregavam segredos antigos e ensinamentos escondidos em parábolas. Era nesse aconchego que a noite se fechava, e o coração aprendia que o mundo podia ser grande, mas sempre haveria um lugar onde a alma repousa.

Hoje, a saudade é como uma visita constante: chega sem avisar, senta ao lado e traz de volta o cheiro da terra molhada, o brilho da lua clara, o calor das mãos calejadas dos avós. E, por um instante, tudo volta a ser fazenda, infância e eternidade.

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