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Processo de criação

Quer que eu conte?

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Autor/Imagem:
Edna Domenica - Foto Divulgação

Como se dá o processo de criação é algo que interessa a leitores. E quanto à criação coletiva é algo que intriga até quem dele participa.

Para abordar o tema, tomo por exemplo Rapsódia da Rua da Mooca (Tão Livros, 2026) escrito por três autoras e dois autores. A pergunta que não quer calar é “como os autores se reuniram?”

O processo de relacionamento foi mediado pela própria escrita. Algo que beira a esfera mágica. Edna Domenica conheceu o Eduardo Martínez pelo Facebook. Pautada na autenticidade e coerência dos escritos dele, desenvolveu a confiança necessária para o que foi se tornando uma amizade literária. Ela abriu a possibilidade para ele usar sua página Leitores & Escritores: interações do Facebook para postar, sem autorização prévia, as lindas crônicas do Blog do menino Dudu.

Quando o Café Literário do jornal digital Notibras iniciou, Edna Domenica demorou uns meses para descobrir que o Eduardo Martínez era um dos editores. Então, resolveu experimentar a participação. Após algumas publicações dos seus textos, se sentiu mais confiante. Então fez os convites para Marlene Xavier Nobre, Gilberto Motta e Rosilene Souza – amigos que conhecera em oficinas literárias, respectivamente, em 2016, 2019 e 2020 – também experimentarem a participação no Café Literário.

Após o grupo conhecer Eduardo Martínez criou-se o espaço para a produção de Rapsódia da Rua da Mooca. E a mágica foi descobrir que ainda é possível trabalhar em grupo do tipo tarefa-idealista. E mesmo num mundo sem Pepe Mojica, sem Papa Francisco, sem Paulo Freire… Ainda continuar seguindo em frente.

Os cinco autores dessa empreita – Edna Domenica Merola, Eduardo Martínez, Gilberto Motta, Marlene Xavier Nobre, Rosilene Souza – partiram de personagens de suas publicações anteriores: As Marias de San Gennaro, (MEROLA E. D., 2019); O Setênio (MEROLA E. D., 2024); Raquel (MARTÍNEZ E., 2012); Miolo: Cânticos para ninar pirados e piradas, (MOTTA G., 2000); Lembranças e Esperanças de uma mulher, (NOBRE M. X., 2020); Devaneios de um instante (SOUZA R., 2022).

Diferente de uma coletânea de textos isolados, o processo de escrita de Rapsódia da Rua da Mooca, por ser movido pelo foco na galeria autoral coletiva de personagens, resultou num retrato social sobre as camadas menos favorecidas da população brasileira.

Assim o personagem Sacerdote – um idoso militante – denuncia a inconstitucionalidade do projeto de escola cívico-militar, no Brasil, em 2025:
aqui há gente de toda a condição. Há crianças que mal podem caminhar, jovens na força da vida, e velhos curvados pela idade, como eu. Tu bem vês que escolas se debatem numa crise de calamidades […] Brandindo seu archote, o deus maléfico das big techs devasta a cidade e dizima a luta pela escola pública, laica, civil, presencial e de qualidade. (MEROLA).

O personagem O Homem da Mala retrata alguém sem moradia e que se abriga num cinema:

Por que a certeza de que, nos próximos minutos, compraria ingresso e sentaria numa desconfortável poltrona da sétima fila? Agora, estava ali. Estático, na encruzilhada de seu destino: o homem e sua mala. Ele vinha do interior e gastara os últimos trocados ao pagar o cubículo fedorento da pensão ao lado do CAIRO. Sete diárias. Sete noites e sete dias. Não tinha referências nem identidade; apenas a mala. (MOTTA).

Traz uma dona de casa que sai andando sem rumo:

Sentia-se uma caçadora de borboletas, procurando gente. Em cada pessoa via uma história. Viu gente de toda a espécie, de gostos e estilos diversos. […] Era uma mistura de gente, e de tudo. […] Tinha até gente decente no meio de tanta confusão. […] Dona Vica, desde criança, tinha um dom que, para muitos, era feitiçaria. Ouvia uma voz lhe soprar nos ouvidos, fazia previsões. (XAVIER NOBRE).

Uma moça albina que traz marcas de abandono familiar e luto:

Na esquina da mesma rua da Igreja, dentre os transeuntes que foram se aglomerando aos poucos, estava Alpina – a albina (como era conhecida). Com o tempo, Alpina deixou de se incomodar com o apelido “pejorativo”. Moça de cútis e madeixas alvas, que aos 18 anos ficara órfã de sua família adotiva.

[…] Alpina foi ficando tonta. Desmaiou. Despertou, atordoada minutos depois, na sacristia da igreja, sendo assistida por Pamela, uma mulher alta e vistosa (SOUZA).

Uma professora aposentada (Estela Maria):

Quem reconheceu Dona Vica foi a Estela Maria do grupo das Marias de San Gennaro. Chegou assustada, mas percebeu que Pamela ajudara sua vizinha.

[…] Dona Vica, também devota de San Gennaro, era cartomante e […] conhecida como Dona Maria Assis.

‒ E ela acerta as previsões? – indagou Pamela.

Estela Maria reproduziu a narração de uma consulta detalhada que sua amiga Júlia Maria fizera com Dona Vica. (MEROLA).

Uma mulher trans que faz programas:

Aconteceu dois dias antes de ir ao dentista. Pamela se encontrou com Cásper no motel de costume. Os dois se amaram como de costume, ela recebeu uma linda pulseira de platina. (MARTÍNEZ).

Esta é Rapsódia da Mooca: um retrato social pelo viés de militantes como um idoso e uma professora aposentada; uma vizinha que é encontrada desmaiada na rua e que precisa ser socorrida; uma pessoa que sofrera bullying e abandono, mas que consegue se integrar à comunidade; uma mulher trans solidária com quem encontra em seu caminho e amiga fiel.

Ficou com vontade de ler? Entre em contato com um dos autores e faça sua encomenda: Redes Sociais: @domenica.edna; @escritoreduardomartinez @gilbertopintodamotta, @gilmotinha @xaviernobre : @souzaaprosi

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Edna Domenica é autora de:
– As Marias de San Gennaro, Insular https://insular.com.br/contato/ editora@insular.com.br
– O Setênio. TãoLivros www.taolivro.com.br taolivroeditora@gmail.com
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