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Derrota antecipada

Quem lucra com chocolate desconhece a fome do povo

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto Editoria de Imagens/IA

Triste dos perdedores é perceber, bem antes do apito final, que a derrota é iminente. Ela está tão próxima que, em vez de vestir a “amarelinha” para se fingir de torcedor da Seleção Brasileira, bem que o candidato ao qual silenciosamente me refiro poderia jogar a toalha antes de soar o gongo. Sei que, em se tratando de alguém cuja soberba é do tamanho do mundo que ele se acha dono, essa possibilidade é muito mais do que impossível. É algo terrivelmente inimaginável, impensável.

Pelo andar da carruagem empretecida do presidenciável em questão, o discurso da derrota já está pronto, revisado e impresso. Eu não tenho dúvida de que a vitória do adversário mais uma vez será creditada à “fragilidade” do sistema eleitoral brasileiro. O curioso é que o processo eletrônico só é ruim para eles. Nunca, em tempo algum, candidato nenhum da esquerda, do centro, da direita ou da extrema-direita que tenha questionado as urnas eletrônicas ficou sem resposta.

Em alguns casos, a resposta da Justiça Eleitoral pode até não ter convencido o reclamante. No entanto, diante da ausência de provas e da robustez dos argumentos dos técnicos do TSE e dos TREs, ele se calava para sempre. Assim como o candidato à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, todos os que estrategicamente recorreram contra a derrota ou se convenceram de que lhes faltavam os votos ou usaram a sorte com apelido do próprio fracasso. Melhor a estratégia do azar do que o ruído da derrota alcançar os eleitores.

Embora seus fanáticos seguidores, digo aliados, pensem o contrário, acho que está faltando espelho na residência, no escritório ou no comitê de campanha do cidadão sem propostas, ideias e, provavelmente, sem mandato em 2027. Como ele se vê de forma contrária, alguém precisa informá-lo que o precipício é logo ali. Por sua conta e risco, ele se afunda cada vez mais e puxa para o atoleiro os que insistem em apoiá-lo. Sem margem de erro para cima ou para baixo, sou capaz de afirmar que é uma ilusão ele achar que está conseguindo derrubar o experiente e inteligente adversário.

É verdade que alguns institutos familiares falam em empate técnico com o outro lado. Não acreditem nisso, pois, caso fosse a favor de jogos com empate, Deus não teria ajudado o homem a criar os números. Nessa altura do campeonato, é desnecessário buscar apoio externo ou se fantasiar de patriota após as vitórias da Seleção Brasileira. Sei que é difícil convencer os fãs cegos de que o referido candidato ainda não sabe o que diz. Pior é mostrar aos que rezam para pneus que ele também não sabe o que faz.

Tanto não sabe que, para contra-argumentar o oponente com anos de praia e três mandatos à frente, o presidenciável da moçada do ódio, acredita que gerenciar uma casa de chocolate tem similaridade com a administração de um país com mais de 210 milhões de habitantes e pelo menos 200 milhões de problemas. A menos que esteja à espera de um milagre, me parece que o candidato conservador não quer perceber que tudo em sua campanha está saindo conforme o não planejado. Eu não tenho vocação alguma para ler pensamentos. Todavia, basta olhá-lo ou ouvi-lo para ter a certeza de que, de longe, ele lembra um derrotado. De perto, parece que está bem longe.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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