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Extremismo religioso

Gilead

Publicado

Autor/Imagem:
Tania Miranda - Foto Francisco Filipino

De tempos em tempos vivemos uma era de extremismo religioso. Não que o mundo fique livre de tal flagelo em algum momento. Sempre, em algum lugar desta nossa Terra tão extensa, há pretensos “escolhidos” que, do alto de sua “relação com a divindade”, expõe leis que geralmente beneficiam apenas a casta dominante. Em alguns momentos ocorre até um paradoxo… mesmo estes não são protegidos pelas normas que impuseram…

Se há algo que o ser humano preza acima de sua vida terrena, é a salvação de sua alma. Por esse objetivo, toma atitudes incompreensíveis, sempre focando no Mundo Além das Cortinas do Templo. E é em nome dessa “vida” que as pessoas cometem as maiores atrocidades… sempre pensando no “bem comum”…

“Desejo salvar minha alma… e a de meus irmãos e irmãs que caminham ao meu lado… mesmo que para isso tenha que tornar sua vida um inferno”. Claro, ninguém fala assim ao tentar “converter” o próximo. Mas, normalmente, acena com as Chamas do Inferno para o possível novo acólito de sua denominação religiosa…

Sim, a principal arma para trazer novos fiéis para sua denominação religiosa, é o medo. Não dessa vida. Mas da outra. Do provável mundo para onde iremos ao cerrar os olhos pela última vez nesse plano…

O principal intuito de uma igreja… de qualquer denominação, de qualquer credo… é dominar o pensamento de seus fiéis. Não importa qual sua filosofia, o que realmente conta para os dirigentes desta ou daquela congregação é ter um grupo de fiéis que se alinhem com as diretrizes básicas da coletividade…

Como praticamente em todo grupo social, o indivíduo não é importante. O que conta é a ideia central, que deve ser defendida a todo custo… se necessário, até mesmo com o sangue de seus seguidores. Pois o pensamento principal, incutido na maioria dos evangelhos, é que o Ser Supremo valoriza o sofrimento de seus seguidores, pois essa é uma prova de amor…

Sim, embora nosso primeiro mandamento seja “sobreviver a qualquer custo”, as igrejas… todas elas… trabalham para quebrar essa nossa convicção. Meu corpo não é importante. Eu não sou importante. Se, para o Grupo sobreviver for necessário meu sacrifício, deverei me entregar por vontade própria… essa é a filosofia das religiões…

O fato de não comungar com tal pensamento faz de mim uma parasita, que não reconhece seu lugar na Sociedade. E, como tal, passo a ser um perigo para a coesão do Grupo. Pois se profiro o que penso, estarei desencaminhando as almas que seguem os ditames impostos por aqueles que detém o Poder nesse Corpo Social…

Sim… a Sociedade tem normas que devem ser seguidas. E mesmo que, à primeira vista, a igreja não faça parte dessas normas, a relação entre elas é mais forte do que pode sonhar nossa vã filosofia. E, quando essa simbiose se sente ameaçada, as Forças Ocultas começam a trabalhar incansavelmente para reverter tal situação…

Não vivemos em um Mundo Laico. Nunca foi. Provavelmente nunca será. O que existe são pequenos focos de resistência contra a agressão que a Humanidade sofre a todo momento, em nome de um deus do amor que prega apenas ódio. Mas estamos cegos para a verdade que se encontra à nossa frente…

Sim, Deus existe. Não, Ele não precisa de nosso sofrimento. Tudo o que Ele deseja é que aprendamos a amar de verdade. No dia em que pusermos em prática o Mandamento Maior que Seu Filho nos deixou, estaremos seguindo realmente Seus Ensinamentos… “Amai o próximo como a si mesmo”… pense nisso…

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