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Causos

Estórias de Beatriz, a menina fabuladora

Publicado

Autor/Imagem:
Gilberto Motta - Texto e foto

Dois amigos viajando pelo mundo resolveram descansar na sombra de uma grande árvore, um pé de jaca. Um deles dormiu um sono profundo. O outro não. O que dormiu começou a roncar, virou de um lado, virou de outro, de repente abriu a boca: de dentro de sua boca saiu uma lagartixa azul, belíssima. O outro viajante ficou quieto, só olhando. A lagartixa caminhava pelo peito do amigo que dormia e roncava. Pertinho deles havia um riacho. No meio da água, entre uma pedra e um pouco de terra, tinha brotado uma flor. A lagartixa, sempre alegre e dançarina, começou a acariciar a flor.

O viajante que estava acordado, de brincadeira, resolveu gritar e jogar um pouco de água no bichinho. Tadinha! Levou um susto tão grande que, apavorada, voltou correndo para dentro da boca do amigo que dormia. Maldade! O sono do moço ficou agitado, esquisito! Então, ele abriu os olhos e disse:

“Puxa vida! Tive um sonho tão estranho! Sonhei que estava viajando por uma estrada maravilhosa e cheguei na beira do mar. Decidi, então, arranjar um barco e atravessar o oceano. Acabei chegando numa ilha misteriosa. Fui recebido como um rei e comi as melhores comidas e as frutas mais saborosas. Dias depois, explodiu um temporal terrível, um vendaval. A ilha começou a afundar. Resolvi voltar para a minha terra. Peguei o barco, corri riscos, naveguei e enfrentei o mar bravio com ondas assustadoras. Quando cheguei de volta, um dragão feroz havia tomado conta de minha casa. Enfrentei o dragão: peguei minha espada e lutei e venci. Ele fugiu gritando e depois acordei. Meu pai então disse-me: “[…] as estórias são assim mesmo, verdadeiras ou inventadas, são assim… essa aí veio lá do oriente, de muito longe”.

Alpha, a Estrela D’alva, olhou pra Beatriz e disse:

– Tá vendo, pequena amiga, “Há mesmo orelhas para enxergar e cílios para ouvir. Sim, tudo é possível quando falamos a língua dos anjos… Não fosse assim, como a poderíamos compreender histórias absurdas como esta… lagartixas, dragões… o tempo, menina, o tempo… por isto os avôs e avós é que sabem contar essas histórias; agora, eu também sei porque você um dia a ouviu de teu pai e me contou. Orelha é legal, não?… piração, Beatriz, piração, né?!”

E então, a menina Bea e a estrela Alpha seguiram contando e ouvindo estórias pelas noites afora naquele fim de mundo.

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Gilberto Motta é escritor, jornalista e pai de duas meninas que na verdade inventaram Beatriz, a Bea, exímia fabuladora. Vive a Guarda do Embaú-SC.

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