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Falta de ideias

Sem inspiração

Publicado

Autor/Imagem:
Tania Miranda - Foto Francisco Filipino

Sabe aquele dia em que você abre a tela de seu computador, ativa seu Editor de Textos e, por mais que tente, nenhuma ideia aparece para te salvar? Bem, aparentemente hoje é um dia assim para mim. Estou já a uma hora em frente de meu monitor e tudo que eu consigo é digitar frases aleatórias… que termino por apagar, depois de algum tempo….

Sim, há dias em que, por mais que você tente, não consegue pensar em nada de bom para dizer. É uma falha sua, não do mundo. Afinal, quanta coisa maravilhosa nos cerca, não é mesmo? Ainda assim, quando falta a inspiração, tudo parece travado. Claro, você pode lançar mão de frases feitas, usar o lugar comum para justificar aquilo que não consegue fazer. Mas não é, de forma alguma, a solução desejada.

Nesse momento estou assim… uma tela em branco, procurando um motivo para expressar meus pensamentos. Que simplesmente não aparecem. E fico perdida em meio a essa névoa de forma tal que não sei exatamente como agir. Sim, falta de inspiração é algo complicado para quem gosta de escrever…

No momento estou com três projetos parados. Um romance onde preciso terminar apenas os dois últimos capítulos, outro romance com alguns capítulos escritos, mas ainda muito no começo, e um livro sobre um assunto tão espinhoso quanto necessário para o mundo. Pelo menos para o “meu” mundo…

Claro, tal premissa só afeta a mim. Sempre digo que tenho três livros já publicados. Mas, como disse certa vez o grande cantador Rolando Boldrin, quando um cantor pediu para que ele lhe mostrasse uma composição inédita para gravar, respondeu simplesmente que poderia escolher qualquer de suas canções, pois todas eram inéditas, uma vez que o público não conhecia nenhuma delas. Assim são meus livros. Já estão há algum tempo no mercado editorial, mas permanecem inéditos. Afinal, ninguém nunca os comprou… e em consequência, nunca os leu…

Isso causa um certo desânimo na gente, sabe? Afinal, você se esmera para criar um Universo que encante as pessoas e, no final, ninguém dá a menor importância para seu trabalho. Claro que ninguém é culpado. Se houver algum, este será o escritor, que grita no deserto, onde ninguém pode escutá-lo…

Amo escrever. Quando acordo, a primeira coisa que desejo é sentar-me em frente ao meu terminal e deixar minhas mãos correrem pelo teclado, como se fosse um instrumento musical de onde eu pudesse tirar lindas melodias. Claro, não é a mesma coisa. Escrever é um pouquinho diferente de criar uma melodia. Afinal, o som pode te encantar de tal forma que você acaba sonhando de olhos abertos. Tal já não acontece com um texto. É necessária a boa vontade do futuro leitor de te escolher… e são tantos escritos, que você terá sorte de que te escolham… e gostem do que você escreveu…

Não tenho certeza de que atingi meu objetivo… sim, eu escrevo e deixo meus textos para quem desejar conhecê-los. Mas os retornos são pífios. Aparentemente, nem críticas estes merecem. Vez ou outra uma notinha aqui, outra ali… mas para nós, escritores, o retorno do leitor é como os aplausos para o músico. É esse retorno que nos incentiva a continuar nesse caminho, sempre procurando mostrar nossa visão do mundo…

Bem, acho que acordei chateada. E peço desculpas pelas palavras que estou a usar. Afinal, respeito não se pede, se conquista. Assim como não posso pedir para que as pessoas usem seu precioso tempo para satisfazer o ego de uma escritora em crise de existência. Tenho que voltar a usar meus óculos cor de rosa novamente…

O mundo é belo, eu sei disso. As maravilhas da Natureza estão ao nosso lado, mostrando que a vida nos dá aquilo que necessitamos. Mas sempre queremos mais. Porém, a vida não é assim. E cada coisa tem seu tempo certo para acontecer. Espero estar mais animada amanhã… e que o Altíssimo me permita sonhar novamente e me conceda o dom de transformar em palavras tudo aquilo que faz nossa vida um presente tão especial…

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