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Riacho Fundo I

Menina morre após ser picada por escorpião

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Autor/Imagem:
Carolina Paiva - Foto Acervo da Família

A menina Valentina Nobre Lima, de 11 anos, morreu neste domingo (5), após permanecer internada por mais de três semanas em estado gravíssimo. A informação foi confirmada pela família. Ela estava intubada e em coma induzido na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Lúcia, desde o dia 12 de junho.

Moradora do Riacho Fundo I, Valentina foi picada por um escorpião na manhã de 11 de junho, enquanto se preparava para ir à escola. Segundo familiares, o animal estava escondido dentro de um dos tênis da menina. Ao calçá-lo, ela relatou ter sentido três picadas antes de conseguir retirar o calçado.

Desde então, a criança enfrentou uma longa batalha pela vida. A família afirma que o agravamento do quadro clínico foi consequência de sucessivos atrasos no atendimento de emergência e da dificuldade para conseguir assistência adequada na rede pública de saúde.

De acordo com os parentes, foram necessárias quase oito horas entre pedidos de socorro, transferências e busca por um leito de UTI. Somente depois desse período Valentina conseguiu ser encaminhada ao Hospital Santa Lúcia, onde permaneceu internada até a confirmação da morte.

O caso reacendeu o debate sobre a rapidez no atendimento a vítimas de acidentes com animais peçonhentos, especialmente crianças, que estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos do veneno.

Dados da Secretaria de Saúde mostram que, somente neste ano, foram registrados 1.974 acidentes envolvendo escorpiões, dos quais 32 foram classificados como graves. No mesmo período de 2025, haviam sido contabilizados 1.855 casos, o que representa um aumento de 6,4% nas ocorrências em 2026.

A Secretaria de Saúde orienta que, diante de uma picada de escorpião, a vítima ou seus acompanhantes adotem algumas medidas imediatas:

Lavar o local da picada com água e sabão;
Manter o membro afetado elevado, quando possível;
Procurar atendimento médico o mais rapidamente possível;
Informar, se souber, qual foi o animal responsável pela picada. Caso seja seguro, uma fotografia do escorpião pode auxiliar na identificação e no tratamento.

O soro antiescorpiônico não é utilizado em todos os pacientes. Conforme os protocolos médicos, sua administração é indicada principalmente em situações consideradas graves, especialmente quando as vítimas são crianças, idosos ou pessoas com condições de saúde que aumentem o risco de complicações.

O soro está disponível nos seguintes hospitais da rede pública:

Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB);
Hospital Regional da Asa Norte (HRAN);
Hospital Regional do Guará (HRGu);
Hospital Regional de Brazlândia (HRBz);
Hospital da Região Leste (Paranoá);
Hospital Regional de Ceilândia (HRC);
Hospital Regional do Gama (HRG);
Hospital Regional de Santa Maria (HRSM);
Hospital Regional de Planaltina (HRPL);
Hospital Regional de Sobradinho (HRS);
Hospital Regional de Taguatinga (HRT).

A morte de Valentina provoca comoção e deve ampliar a discussão sobre a capacidade de resposta da rede pública diante de acidentes com animais peçonhentos, especialmente em casos que exigem atendimento rápido e acesso imediato ao soro e a leitos de terapia intensiva.

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