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Brado retumbante

Taça foge do Brasil como o Diabo da cruz

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Autor/Imagem:
Armando Cardoso - Foto Editoria de Imagem/IA

Passada a ressaca do péssimo futebol apresentado pela Seleção Brasileira em gramados norte-americanos, fica a pergunta: Até quando teremos de continuar aprendendo com nossos próprios erros? Enquanto pensamos nos simbolismos e de forma romântica, os erros se acumulam, os anos passam, passam e nós vamos ficando para trás. Já perdemos o respeito dos adversários, não temos mais entrosamento e nem poder de reação. Nos limitamos a alguns ídolos, outros arremedos de craques, muitos pernas de pau e poucos jogadores com capacidade de comandar a “amarelinha”. Sintetizando, temos quantidade, mas nos falta qualidade.

O resultado é que, melancólica e vergonhosamente, caminhamos para 28 anos de jejum de títulos, ou seja, seis mundiais à míngua. O recorde é pra lá de negativo. Hoje, o mundo nos vê como seleção da terceira prateleira. Como brasileiro e patriota, não estou desistindo da Seleção Brasileira. Isso nunca ocorrerá. O problema é que tenho dificuldades cognitivas para entender como conseguimos chegar a tal ponto de ineficiência futebolísticas. Logo nós que, por décadas, encantamos o planeta azul. Não somos pentacampeões por obra e graça dos deuses do futebol.

Não é o que pensam europeus do terceiro e quarto escalões, asiáticos, africanos, latinos e muitos sul-americanos, todos nossos ex-discípulos. Para tristeza quase absoluta, atualmente se acham nossos mestres. Não conseguimos ganhar dos desconjuntados e, às vezes, desengonçados noruegueses. Penamos diante dos ex-aprendizes marroquinos e dos simpáticos japoneses, os quais aprenderam tudo que sabem com um brasileiro: o seu, o meu, o nosso Arthur Antunes Coimbra, o magistral Zico, o Galinho de Quintino.

É do povo heroico brasileiro que vem o brado retumbante: Até quando os dirigentes da CBF permanecerão deitados em berço esplêndido, ao som do mar, da luz e do sol profundo do Rio de Janeiro? Será que, despreocupados com a Pátria Amada, Idolatrada, Salve! Salve!, vão esperar o Brasil se tornar uma peça de museus nas cristaleiras das Copas do Mundo? Será que, iguais aos italianos e uruguaios, também viveremos do passado? Triste realidade, mas é o que estão desenhando para o futuro do Gigante pela própria natureza.

Sempre iluminado ao som do Novo Mundo, o Brasil de cerca de 213 milhões de brasileiros não merece ficar a reboque de vikings ou de qualquer outro adversário. Não falo dos noruegueses com rancor, ódio ou insatisfação. Eles estão jogando a Copa, como fizeram particularmente contra o Brasil, com alegria, com precisão, com vontade de vencer, pensando em remar com seu povo e sem nenhum estrelismo. A diferença entre os  vikings e nós é abissal: eles parecem e são felizes. E os brasileiros? Cada vez mais infelizes no futebol, na política dos pastores e dos golpistas e nas bets que exploram e empobrecem as famílias.

Triste realidade! Enquanto Halland faz gols, Neymar Junior faz filhos, cria confusões e chora para as câmeras como seu ídolo soluça para os médicos que o mantém em domicílio. Passou o tempo em que aceitávamos o clichê aprender com nossos erros. Os tempos são outros. Ou começamos a acertar ou acabaremos definitivamente como coadjuvantes das próximas Copas do Mundo. Para alegria e consolo dos patriotas que, mesmo derrotados, seguem amando a Pátria, a Bélgica goleou os EUA e, após tentativa de golpe de Donald Trump, eliminou os anfitriões da Copa de 2026. Enfim, prevaleceu o futebol. História fez o Egito. Chegou aonde poucos imaginavam e quase tira a Argentina da Copa. Me faltou o papiro para descrever a frieza do craque Mohamed Salah diante da genialidade de Lionel Messi.

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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