Curta nossa página


Escalada militar

Trump rasga trégua e volta guerra com Irã

Publicado

Autor/Imagem:
Antônio Albuquerque - Foto de Arquivo

Donald Trump decidiu jogar gasolina no barril de pólvora do Oriente Médio. Nesta quarta-feira, 8, o presidente dos Estados Unidos anunciou que estava encerrado o memorando que sustentava a trégua com o Irã. Quase ao mesmo tempo, forças americanas voltaram a bombardear a República Islâmica, atingindo alvos militares em províncias do sul iraniano.

A justificativa de Washington foi direta: Teerã teria violado o acordo ao atacar embarcações comerciais no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais sensíveis do planeta. Segundo relatos internacionais, os Estados Unidos lançaram ataques contra centros de comando, sistemas de defesa aérea, instalações de mísseis, radares costeiros e estruturas ligadas à capacidade naval iraniana.

Trump, em tom belicoso, afirmou que a trégua “acabou” e colocou em dúvida qualquer possibilidade de negociação imediata. Embora tenha dito que representantes americanos ainda poderiam conversar com os iranianos, o presidente tratou a diplomacia como perda de tempo.

A resposta de Teerã veio pelas mãos da Guarda Revolucionária Islâmica. O IRGC anunciou uma ofensiva com mísseis e drones contra instalações militares americanas no Bahrein e no Kuwait, países aliados da Casa Branca no Golfo Pérsico. A versão iraniana fala em dezenas de alvos atingidos; os Estados Unidos dizem ter interceptado parte dos projéteis.

Com isso, a trégua, que já caminhava sobre cacos, praticamente desmoronou. A região volta a viver o risco de uma guerra aberta envolvendo não apenas Estados Unidos e Irã, mas também monarquias do Golfo, Israel, aliados da Otan e países dependentes do petróleo que atravessa o Estreito de Ormuz.

O ponto mais delicado é justamente Ormuz. Por ali passa parte expressiva do petróleo negociado no mundo. Cada míssil disparado na região não atinge apenas bases militares; acerta também bolsas de valores, seguradoras marítimas, refinarias, importadores de energia e governos que dependem da estabilidade dos preços internacionais.

A escalada ocorre em um momento de forte tensão diplomática. A trégua havia sido apresentada como tentativa de abrir uma janela para negociações mais amplas. Agora, com Trump declarando o acordo encerrado e o Irã respondendo com ataques regionais, a janela volta a se fechar com estrondo.

Na prática, Washington manda o recado de que não aceitará restrições à navegação nem ataques a seus aliados. Teerã, por sua vez, tenta demonstrar que qualquer agressão contra seu território terá custo fora das fronteiras iranianas. Entre uma retaliação e outra, o Oriente Médio volta a ser transformado em tabuleiro onde cada movimento pode incendiar uma casa vizinha.

A comunidade internacional teme que Bahrein, Kuwait, Catar, Emirados Árabes e Arábia Saudita sejam arrastados para o centro da crise. Todos abrigam interesses estratégicos americanos ou dependem diretamente da segurança marítima no Golfo. Um erro de cálculo, um míssil fora da rota ou uma base atingida com grande número de baixas pode transformar a crise em conflito regional de proporções imprevisíveis.

Trump aposta na força. O Irã aposta na capacidade de resistência. O problema é que, no meio do duelo, está uma região inteira cercada por petróleo, drones, navios, bases militares e governos que já aprenderam que, no Golfo Pérsico, a paz costuma ser apenas o intervalo entre duas explosões.

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.