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Abaixo a misoginia

Voto une mulheres em direção à vitória

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Autor/Imagem:
Sonja Tavares - Foto Editoria de Imagem/IA

Vendedor de cursos alinhados à extrema-direita, influenciador digital, algo como fofoqueiro em defesa de determinada família, e suposto jornalista, Paulo Renato de Oliveira Figueiredo, aquele que não gosta das mulheres, é procurado pela Justiça brasileira por fazer parte do grupo que tramou o golpe de Estado logo após a derrota de Jair Bolsonaro, em outubro de 2022. Por isso, ele está homiziado nos Estados, de onde presta assessoria para Eduardo, Flávio Bolsonaro e que tais.

Craque em desinformação golpista e antidemocrática, ele, ao lado do general Braga Netto e do tenente-coronel Mauro Cid, era responsável por incitar militares a aderirem ao golpe. Antes de dar as respostas exigidas pelo Supremo Tribunal Federal, mais precisamente ao ministro Alexandre de Moraes, o “colega” precisa me dizer onde consigo ler uma (basta uma) matéria de sua lavra publicada em jornais ou revistas do Brasil. Se for no The New York Times, Washington Post, USA Today ou The Wall Street Journal, renderei publicamente minhas homenagens.

Não vale as chorumelas produzidas a pedido do clã Bolsonaro. Neto do ex-presidente João Batista Figueiredo, Paulo Figueiredo faz o trabalho sujo contra o voto feminino, principalmente o das mulheres casadas. Embora a mulher livre incomode o “jornalista” e seus amiguinhos da extrema-direita, o voto feminino passou a ser assegurado pela legislação brasileira em 24 de fevereiro de 1932, depois de muita luta e mobilização dos movimentos feministas, os quais reivindicavam o direito desde o fim do século XIX, antes mesmo da Proclamação da República.

Me parece que o tal influencer está muitíssimo mal-informado a respeito do eleitorado nacional. Conforme dados da Justiça Eleitoral, as mulheres representam a maioria desse eleitorado. Eu incluída, elas somam mais de 81,8 milhões de eleitoras, o que equivale a 52,47% do total. Dessas, 20 milhões estão na faixa etária entre 45 e 59 anos. Até onde consigo enxergar, eu e nenhuma delas deve nada a Paulo Figueiredo, a seu avô, o general João Batista Figueiredo, tampouco àqueles que querem nos ver longe da política e das seções eleitorais.

Conhecido por suas declarações polêmicas e, às vezes, bastante grosseiras, o general Figueiredo, presidente do Brasil entre março de 1976 a março de 1985, teve sua gestão marcada por uma profunda crise econômica e pela condução do processo de abertura política “lenta, gradual e segura”. Apesar dos rompantes, pelo menos ele era patriota, corajoso e jamais precisou se esconder em outro país para fugir de suas responsabilidades.

Embora nunca tenha se referido às mulheres, João Batista era crítico das eleições diretas para presidente da República, pois, segundo ele, “Um povo que não sabe nem escovar os dentes não está preparado para votar”. Se o general não sabia o que dizia, imaginem o “jornalista” Paulo Figueiredo. Tal avô,  tal neto. De mulher para mulher, qualquer um pode ser influencer. Portanto, por que temermos ou nos preocuparmos com beócios desse tipo?

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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

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