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Trilha no Posto 12

Rosa, rosa-chiclete

Publicado

Autor/Imagem:
Ana Paula Rocha - Texto e Foto

Faço parte de muitos grupos nas redes. Certa vez, rolou um convite coletivo para uma trilha no Posto 12, aqui no Recreio dos Bandeirantes, agora classificado como Zona Sudoeste.

Eu, inocente, perguntei sobre o nível da trilha, e o administrador respondeu:

— Ana, tu faz a Trilha do Perigoso, então essa tu faz mole…

Não busquei informações por fora e, no domingo marcado, compareci ao ponto de encontro.

Povo animado, gente viva, cheia de disposição… e eu com minha cara de pouco caso, como em todo amanhecer.

Partimos para o Recreio e, chegando lá, avistei aquela divisão entre a praia e o mar.

Caminhamos pela praia. Fotos, fotos e mais fotos. Esperamos algumas pessoas que ainda estavam chegando ao ponto de subida.

Ainda na areia, um camelô se vira e pergunta:

— Tia, você vai subir?

Eu:

— Sim!

Ele:

— Lá em cima?

Eu:

— Sim!

Ele:

— Quando tu chegar lá em cima, dá tchau! Quando descer, vou te dar um milho de graça.

Como eu demoro a assimilar as coisas antes das 10 da manhã, pensei:

*Esse Judas querendo tirar uma com a minha cara…*

Segui o grupo, que passou pela primeira fase rapidamente. Logo eu, toda rosinha chiclete, que de longe se enxergava minha roupa discretinha…

Subimos e subimos… Ao chegar em um certo ponto, observei que ninguém mais descia. Todos esperavam a maré baixar.

Como assim?

Deixa eu te contar um detalhe que ninguém contou: como é a praia que faz a ligação com a “ilha”, se a maré estiver alta, aquele trecho simplesmente some!

Pois bem… não pensei no perigo e continuei.

Lá em cima há um trecho que se passa de bundinha, com os pés apoiados na vegetação grudada na pedra, que, na verdade, fica sobre um precipício.

Aí você olha e pensa rápido: não tem como voltar. E tem um mundo de gente para subir atrás de você, porque só passa uma pessoa por vez.

Fui.

Lá em cima… aquela vista maravilhosa. A certeza de que Deus escolheu você!

Pra quê, eu não sei. Mas tive a certeza de que, se eu descesse ilesa, nunca mais Deus me abandonaria…

Novamente, mais umas 30 fotos e pronto.

Nada de rapel!

— Como iremos descer, Ella?

Na maior calma, toda disciplinada, Ella diz:

— Vamos descer do jeito que a gente subiu. No passinho…

E assim foi.

Chegamos ao precipício, e o medo me consumiu, acompanhado de um suor surpreendente, fazendo o look rosa grudar na pele seca.

Houve trecho de reza forte, pedidos de perdão, gatinha como bebê aprendendo a engatinhar, rastejo de bundinha…

Chegando à praia, percebo que muitos olhavam. E não era por causa da cor da calça, mas da transparência que ela tinha ficado.

A calça desfiou toda!

Fingi que não percebi. Não dava para puxar a blusa…

Estava com meia bunda à mostra. Kkkkk.

Seguimos como se nada tivesse acontecido. Eu e Ella ainda tomamos um açaí. Nem me direcionei ao milho…

Ao chegar em casa, vi o estrago por não verificar os detalhes da trilha.

A calça se foi… com um design bem peculiar.

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