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Narrativas virtuais

Labirintos desconstrutivos

Publicado

Autor/Imagem:
Gilberto Motta - Texto e Foto

O “novo mundo” pós-industrial em plena ebulição.

O mundo da rapidez, das redes digitais, dos bites.

Construído sobre as bases da convergência de meios, plataformas, multi linguagens, discursos e narrativas.

Mas na base, tudo permanece lá: a construção mental, a fala e a escrita.

As narrativas contemporâneas não são mais apenas “um fato, um causo” para serem decoradas e recontadas, mas outro texto/discurso escrito e/ou audiovisual para ser digitalizado e arquivado nos HDs ou nas nuvens.

Não ocupam mais apenas o espaço na memória; elas podem ser reprocessadas/buscadas/retroalimentadas a qualquer instante.

Basta abrir o arquivo (como abríamos o livro), enquanto a paisagem desliza pela janela do vagão do trem virtual.

Tela de cristal líquido. Alma de vidro frágil.

O relativismo da extensão, do tamanho como mídia ideal para o formato de uma história curta abre a possibilidade para a sua redução.

O mais é menos.

Tudo na direta proporção do aumento da velocidade, como efetivamente ocorreria na história, por exemplo, de um conto. Veloz, o tempo das coisas efêmeros e do consumo instantâneo.

Nestes dias, vivemos mais imersos nas redes sociais, na internet, que em nossos próprios espaços materiais de habitação.

Habitamos o espaço de nós mesmos no universo virtual.

Vivemos pequenos contos cotidianos impostos pelos algoritmos.

Cotidemias – a mistura do cotidiano com as diversas pandemias -, reescrevendo a História.

O disparo, o arremesso, o desfecho.

Hoje temos as “sudden stories” (histórias repentinas).

No cinema, aprendemos a pensar e a produzir os “short cuts” (atalhos, histórias breves) e na literatura os minicontos, microcontos e as microcrônicas.

E continuaremos a escrever haicais; haicais virtuais em letras holísticas cibernéticas.

Mas, com alguma ferramenta “da hora digital algorítmica”, virtual/ciber/antropológica.

Mas escreveremos!

O futuro é ontem.

O presente é agora.

E o futuro: haverá?

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Gilberto Motta é escritor, jornalista e pesquisador das redes “antissociais”. Vive na vila da Guarda do Embaú-SC.

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