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Viver (ainda) é preciso

Um dia seremos precisos

Publicado

Autor/Imagem:
Luiz Martins da Silva - Foto Coleção de selos do autor

Navigare necesse, vivere non necesse.

[Em dedicatória aos anjos hospitalares*]

Navegar não é [mais tão] preciso.
Viver [sim] é [ainda mais] preciso.
Ficar em casa é [muito mais] preciso.
Viajar [agora] não é mais impreciso.

Um dia**, Marco Polo partiu de Veneza.
E voltou com O Livro das Maravilhas.
Um dia, um milhão de chineses vieram
Em excursão a Veneza e à Cidade Eterna.

Neste momento, tudo o que é preciso
É lavar tudo: o corpo, a casa, a alma,
As compras, as mãos, as mãos, as mãos…
Levar a vida em lavanda, obsessivamente.

Um dia, a faxina chegará, naturalmente,
Ao solo, às águas, ao ar e até ao fogo.
Quando tudo voltar a ser limpo, então,
Outra vez, puros, consciência e coração.

Outra vez, amores, será bem vindo o sim:
Do cheiro, do beijo, da cópula sem mácula.
E, de janeiro a janeiro, do que a Natureza
Nos fez para o estremecer dos sentidos.

Mas, para tantos, há tantos portantos!
O tanto preciso de todos os tantos
Necessários para que, ainda libertários,
Possamos ser mais um do outro sacrários.

……………………

* Poema pós-cirúrgico
** Em 1272, aos 17 anos. Voltou em 1275.

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