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Dr. Leo

Conheça um verme que ataca pets e pode infectar humanos

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Autor/Imagem:
Leonardo Bernar - Foto Francisco Filipino

Você já reparou se o seu cachorro ou gato anda arrastando o bumbum no chão ou se há pequenos pontinhos brancos, parecidos com grãos de arroz, nas fezes dele? Esses sinais, que costumam assustar muitos tutores, indicam a presença do Dipylidium caninum. Este é o nome científico de um dos vermes mais comuns do mundo que vive no intestino de cães e gatos, mas que também pode afetar as pessoas.

O Dipylidium caninum é um verme achatado, popularmente conhecido como tênia canina ou tênia pepino. Apesar de parecer pequeno quando vemos seus pedaços nas fezes, o parasita adulto se fixa fortemente nas paredes do intestino delgado do animal e pode crescer impressionantemente, atingindo até 60 centímetros de comprimento.

A transmissão desse verme não acontece pela água ou pela comida, como ocorre com outros parasitas, mas sim por meio de pulgas e piolhos. Esses insetos funcionam como “meios de transporte” para o verme. O ciclo começa quando as larvas das pulgas, que estão no ambiente, se alimentam dos ovos do verme que foram eliminados nas fezes de um animal doente.

O pet acaba se infectando de forma totalmente acidental. Quando o cachorro ou o gato sente aquela coceira chata causada pela picada da pulga, ele tende a lamber ou mordiscar a própria pele para aliviar o incômodo. Nesse momento, o animal acaba engolindo a pulga infectada, levando o parasita direto para dentro do seu organismo.

Depois que o animal engole o inseto, a larva do verme leva cerca de três semanas para se transformar em um parasita adulto. Por ser hermafrodita, o verme consegue se reproduzir sozinho dentro do intestino do pet. Ele começa a liberar pequenos pedaços do seu próprio corpo cheios de ovos, chamados de proglotes, que saem pelo ânus do animal.

Felizmente, na maior parte das vezes, essa infecção não causa problemas graves de saúde ou riscos de morte para os cães e gatos. O sintoma mais frequente e evidente é uma coceira muito intensa na região anal do bichinho. Essa coceira acontece por causa do movimento desses pedacinhos do verme saindo pela pele do animal.

O diagnóstico da doença acaba sendo feito visualmente pelos próprios tutores. O que mais chama a atenção de quem tem um pet em casa é notar esses segmentos brancos, que se mexem e parecem grãos de arroz secos, grudados nos pelos ao redor do bumbum do animal ou misturados nas fezes recentes.

Sintomas mais sérios, como diarreia, perda de peso constante, intestino preso ou atraso no crescimento de filhotes, são raros. Eles costumam aparecer apenas quando o animal está com uma infestação muito grande, ou seja, com muitos vermes disputando os nutrientes dentro do seu corpinho ao mesmo tempo.

O grande alerta em relação ao Dipylidium caninum é que ele é considerado uma zoonose, que é o nome dado às doenças que passam de animais para humanos. Como os pets hoje vivem muito próximos de nós, subindo na cama e no sofá, o risco de transmissão aumentou. As crianças são as principais vítimas, pois costumam brincar no chão e levar as mãos e objetos sujos à boca com frequência.

Para proteger a sua família e o seu melhor amigo, o tratamento exige duas ações combinadas. Primeiro, é preciso levar o pet ao veterinário para que ele receite um vermífugo específico para tênias. Segundo, é obrigatório fazer um controle rigoroso com produtos antipulgas no animal e no ambiente, já que, sem eliminar as pulgas, o bicho de estimação voltará a se infectar em pouco tempo.

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