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Vale quanto pesa

Carisma de Michelle é maior aposta ao Senado

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Mais embaralhado do que nunca, o cenário político do Distrito Federal deixou de ser uma caixinha de surpresa para se transformar em um balaio de carisma a ser aberto pelo clã Bolsonaro, mais especificamente pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Logo ela que, com todo respeito à figura feminina, nunca fez nada pela Capital, tampouco por seu povo. Tenho a nítida impressão de que a população do Brasil e de Brasília parou de pensar. Afinal, fazer política não é como vender sabonete, refrigerante ou caixa de bombom.

Apesar de minha “contrariedade”, tudo indica que ela realmente é a bola da vez. Uma pena, pois, como pregou Charles de Gaulle, célebre presidente francês nos anos 40 e 50, a política é uma coisa séria demais para ser deixada nas mãos de políticos criados do dia para a noite. Do alto de minha ignorância, acrescento que a política não é um jogo de petecas entre madames ociosas, muito menos uma partida de truco envolvendo endinheirados depois de alguns goles de whisky. Política é realmente algo muito sério, pois dela depende a vida de 213 milhões de pessoas.

Portanto, para progredir de forma mais igualitária e menos dependente do governo federal não basta ao DF um arranjo de famílias ou de cidadãos que buscam oportunidades para se lançar como salvadores da pátria. Por enquanto, considerando que tudo passa pela candidatura de Michelle Bolsonaro, a política local lembra um daqueles folhetins sem roteiro elaborado, no qual o carisma dos protagonistas se limita à arte de captar em proveito próprio a paixão que alguns eleitores locais ainda nutrem pelo patriarca do clã.

Seriam os Bolsonaro mágicos? Digo isso porque, especificamente em relação ao Distrito Federal, não há como discordar da tese de que a massa não foi feita para a política, mas para sustentar o poder dos políticos. É aquela máxima de que, na mágica da política, a quem sabe invocar os poderes é que o povo obedece. A incerteza em torno de Michelle Bolsonaro não é de graça, pois, conforme o mestre Ulysses Guimarães, em política até a raiva é combinada.

Falar em desistência é, como diria minha centenária avó, conversa para boi dormir. Como alguém com “carisma” e com os dois pés no Congresso vai lavar as mãos e entregar a rapadura ao inimigo a ser batido. A desistência de Ibaneis Rocha da disputa por uma das duas vagas no Senado é a peça que faltava para conclusão do meu fictício quebra-cabeça. Em palavras mais palatáveis para qualquer eleitor, resta ao PL de Valdemar Costa Neto ou à legenda da preferência de Michelle encerrar de uma vez o joguinho de esconde-esconde.

Esclarecidos ou não, os eleitores da Capital estão carecas de saber que, contra ou a favor de Flávio Bolsonaro, Michelle é candidata e favoritíssima ao Senado Federal. Sem Ibaneis a outra vaga ficará entre de Bia Kicis (PL), Érika Kokay (PT) ou Leila do Vôlei (PDT). A decisão é secreta e soberana. No entanto, vale lembrar que a escolha política que fizermos é que decidirá o tipo de sociedade que queremos construir. Quanto ao “carisma”, não tenho informações capazes de garantir que essa habilidade pessoal seja handicap ou signifique competência para solucionar os problemas e as carências da Capital da República.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978 

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