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Gente nova do Novo

Entre feijoada, vinho, urnas e bandeiras do povo

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Autor/Imagem:
José Seabra - Foto Acervo Pessoal

Brasília, que a cada dia desmente na prática a teoria de que é uma cidade sem esquinas, tem lugares que valem mais pelo que se conversa do que pelo que se come, por melhor que seja o cardápio e o que sai da cozinha. O Ki-Filé, na 405 Norte — para muita gente ainda o velho e bom “Cavalcanti” — é um deles. Basta uma sexta-feira ensolarada, uma feijoada fumegante e algumas garrafas de vinho sobre a mesa para que a política ocupe naturalmente o espaço entre um brinde e outro.

Foi exatamente esse o cenário que encontrei na véspera deste sábado, 11. Do fim da manhã ao cair da tarde, o restaurante transformou-se em um pequeno retrato da capital. Gente do Direito, jornalistas, antigos servidores públicos, amigos de décadas e personagens conhecidos da vida política ocupavam uma grande mesa, como se estivessem cumprindo um típico ritual de conversar sobre o presente tentando adivinhar o futuro.

No centro desse vaivém estava o defensor público da União Kleber Melo (Novo). Não era um lançamento de candidatura, tampouco um ato partidário; diria que apenas uma confraternização. Mas, em Brasília, basta reunir pessoas interessadas em política para que o cardápio ganhe um ingrediente extra.

Vi chegar abraços de todos os lados. Entre eles, o do ex-secretário Severino Cajazeiras, além de profissionais do meio jurídico e colegas da imprensa. As conversas iam e vinham entre recordações, análises da conjuntura e inevitáveis perguntas sobre as eleições de outubro. Porque quem conhece a capital da República como eu, sabe que muitas articulações começam sem microfones, sem discursos e sem palanque.

Kleber falava com a serenidade de quem está acostumado a ouvir antes de responder. Não prometia milagres nem apresentava fórmulas mágicas. Preferia insistir na experiência acumulada na Defensoria Pública da União, onde o contato cotidiano com cidadãos em situação de vulnerabilidade lhe deu uma visão muito particular das dificuldades enfrentadas pelos brasilienses.

Saúde, educação, transporte e segurança pública apareceram repetidamente nas conversas; não como palavras de efeito, mas como problemas conhecidos de qualquer morador do Distrito Federal. Para Kleber, enfrentar essas questões exige um Legislativo disposto a fiscalizar, discutir e construir soluções de longo prazo, uma tarefa que, particularmente, considero menos vistosa do que discursos inflamados, mesmo que indispensável para o funcionamento da democracia.

Enquanto os pratos eram renovados e o restaurante seguia cheio, fiquei com a impressão de que Brasília continua fazendo política do seu próprio jeito. Antes das convenções, antes dos programas eleitorais e muito antes das urnas, há sempre uma mesa de restaurante onde ideias são testadas, alianças são ensaiadas e velhos conhecidos se reencontram.

Foi apenas uma confraternização? Diria que sim, ressalvando que, para quem acompanha os bastidores da política do Distrito Federal há muitos anos, encontros dessa natureza raramente se limitam à boa comida. São reuniões que costumam revelar o humor da cidade, aproximar pessoas e indicar quais nomes começam a despertar interesse nos círculos onde, muitas vezes, as primeiras páginas de amanhã começam a ser escritas com antecedência.

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José Seabra é CEO fundador de Notibras

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