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Panorama Político, por João Zisman

Ibaneis fora… e farpas entre PT e PSB parecem troca de tapas

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João Zisman - Foto de Arquivo

A decisão de Ibaneis Rocha de não disputar uma das duas vagas do Distrito Federal ao Senado começou a produzir os primeiros movimentos objetivos de reorganização partidária. O Republicanos avalia lançar a ex-ministra Cristiane Britto, que comandou o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos no governo Jair Bolsonaro.

A movimentação ocorre num cenário ainda mais aberto pela possibilidade, também discutida nos bastidores, de Michelle Bolsonaro não concorrer pelo Distrito Federal. A entrada de Cristiane Britto permitiria ao Republicanos reivindicar participação na chapa majoritária e, ao mesmo tempo, apresentar uma candidatura identificada com o eleitorado conservador, feminino e evangélico.

O movimento mostra que a retirada de Ibaneis não simplificou a formação da chapa governista. Ao contrário, liberou uma vaga cobiçada por diferentes partidos e ampliou a disputa dentro do campo de apoio à candidatura de Celina Leão ao Governo do Distrito Federal. A definição dependerá não apenas da competitividade individual dos nomes, mas da capacidade de acomodar partidos que esperam representação proporcional ao apoio oferecido à chapa.

Enquanto isso, a disputa entre Leandro Grass e Ricardo Cappelli ganhou um novo capítulo com a reação do pré-candidato do PSB às críticas do deputado distrital Chico Vigilante, do PT. Cappelli afirmou que os “verdadeiros progressistas” saberão identificar quem representa efetivamente esse campo político.

A troca de declarações revela um problema que a oposição ainda não conseguiu resolver: a construção de uma candidatura única e competitiva ao Governo do Distrito Federal. O PT trabalha para preservar o protagonismo de Leandro Grass, enquanto o PSB sustenta Cappelli como alternativa capaz de ampliar o diálogo para além do eleitorado tradicional da esquerda.

O confronto deixa de ser apenas uma disputa entre dois pré-candidatos e passa a envolver as estratégias nacionais de PT e PSB. Quanto mais o embate se prolonga, maior o risco de a oposição entrar no período decisivo da eleição discutindo sua própria liderança, enquanto a base governista procura organizar a sucessão em torno de Celina Leão.

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