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Lembrando Euclides da Cunha

Eleitor consciente deve preferir quarto galo na urna a um gavião voando

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Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto de Arquivo

Exclusivamente por conta das contradições do clã Bolsonaro, a crise política do Brasil, exacerbada pela polarização entre Luiz Inácio e Flávio Bolsonaro e pela intromissão de Donald Trump, parece estar bem longe do fim. Vivemos tempos difíceis. Apesar disso, mesmo que não seja o ideal para todos os brasileiros, o presidente eleito democraticamente em 2022 tem história, capacidade, vontade, força e apoio para continuar administrando o país. Ainda é cedo para afirmar que ele será reeleito em outubro próximo para sua quarta encarnação na Presidência da República.

No entanto, considerando as manobras e as maracutaias produzidas pelo adversário e por seus aliados, poucos eleitores sérios e com consciência democrática têm dúvida de que o melhor caminho é apostar em quem sabe o que faz e, principalmente, em quem não mente. O voto é secreto, mas não custa lembrar aos 160 milhões de eleitores que Lula da Silva tem dezenas, talvez milhares de defeitos. Todavia, ele nunca atentou contra a democracia e jamais negociou na surdina a liberação das fronteiras brasileiras.

Do outro lado, há uma extrema-direita liderada por uma família que disputa uma duvidosa herança política e que, mentirosamente, prega soberania, mas atua abertamente como linha de frente dos interesses de Washington, mais precisamente do republicano Donald Trump. Por mais que não admitam a adjetivação, trata-se claramente de um patriotismo pra lá de fajuto. Apenas para alimentar uma tacanha oposição, os extremistas não se incomodam em jogar na lata do lixo tudo o que é bom para o Brasil e para o povo brasileiro.

Às vezes de forma sutil, mas comumente de modo explícito, os oposicionistas ao presidente que disputa a reeleição não se rendem ao que é inteligente, humano, verdadeiro e benéfico. Para eles, o que vale é a espetacularização política, é tentar usar propostas de caos e de escuridão para derrubar o que, bem ou mal, está posto, o que tem conteúdo. É a tentativa de triunfar com o superficial sobre o belo, do lucro sobre a lucidez e do bem sobre o mal.

O mais grave de tudo isso é que, cada vez mais anestesiado pela celebração da mentira, parte do povo aplaude a má fé da extrema-direita. O Brasil pós-Bolsonaro não precisa da tutoria, tutela ou orientação dos Estados Unidos para crescer. E quem disse que o país ainda precisa de mitos? Desde as eleições de 2022, o Brasil necessita é de homens com ética, caráter e coragem. Homens que não se curvam às ameaças e aos tarifaços externos e que defendam a democracia e a soberania nacional.

O principal adversário da manutenção do sistema democrático precisa saber que nossa soberania não está em jogo, muito menos à venda. Somos um país livre, democrático e de futuro. Que seu financiador estrangeiro cuide do quintal dele e deixe que o nosso seja cuidado por quem a maioria do eleitorado optar. Antes de buscar apoio criminoso fora das quatro linhas brasileiras, o presidenciável deveria trabalhar com mais afinco para solucionar a crise familiar, hoje com três líderes em conflito. Não é implodindo a família e deixando a vinculação com Daniel Vorcaro sem explicações que impedirá a reeleição do presidente Lula da Silva.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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