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Coisas do além

O Monza assombrado e a noite do jantar

Publicado

Autor/Imagem:
Ana Paula Rocha - Foto Francisco Filipino

Aqui no bairro, temos um hábito um tanto peculiar… Às vezes, ou melhor, quase sempre, saímos em grupos. Seja lá para qual
evento for. Tanto faz se é comemoração, festa ou até mesmo um sepultamento.

Em um final de semana tranquilo, sem nenhum compromisso, um grupo sentado na praça teve a brilhante ideia de sair para jantar. Mas não era em qualquer lugar.

Linda teve uma ideia:

— Oh, o carro do Carlinhos está lá em casa. Não sei se está bom, não. Ele saiu para pescar. Já temos um carro! Nana, mais que depressa, completou:

— Tem outro lá em casa!

O grupo correu para se arrumar e, logo depois, voltou para a praça. No total, eram 14 pessoas divididas entre um Monza e um Palio de duas portas sem ar.

O desafio era passar pela PRF, que ficava bem na entrada da outra cidade.

A vontade de conhecer o tal restaurante, famoso por sua enorme mesa esculpida em madeira maciça com tampo de vidro, era o auge daquele momento.

Seguimos, então. Eu fui no Palio, espremida com meia dúzia de cabeças, enquanto a outra metade aproveitava o tão sonhado ar-condicionado do Monza Tubarão.

Ao passarmos pelo centro de outro bairro, o carro do Carlinhos começou a dar seta sozinho, subir e descer os vidros sem qualquer comando.

Paramos em um ponto da estrada porque pensamos que Nana queria dizer alguma coisa. Mas não!

Ela nem sabia que o carro armava a seta sozinho.

Ao chegar à porta do restaurante, o carro morreu. Não ligava por nada! Como já estávamos ali, demos uma empurradinha só para colocá-lo na vaga e aproveitar a noite.

O tempo passou, e Linda deixou escapar que ainda não tinha avisado ao Carlinhos que havia pegado o carro. Fechamos a conta, começou aquela confusão para dividir todo mundo entre os dois carros e pronto.

O Monza não pegava!

Desce todo mundo!

— Bora fazer o Tubarão funcionar! Nada.

Empurra o carro na ladeira, tenta no sentido contrário, faz a famosa chupeta. E, debaixo de um pancadão de chuva, o carro finalmente pegou! Corre todo mundo!

Gente no colo, gente espremida, tudo para evitar que a polícia nos parasse. E assim seguimos viagem de volta para casa.

Bem em frente ao posto da PRF, o carro resolveu dar mais um espetáculo: piscou as setas, subiu e desceu os vidros sozinho… Mas, por um milagre, não fomos parados.

Ao chegar em casa, Linda pediu para Nana guardar o carro na garagem. Quem aparece?

Carlinhos.

Ele olhou desconfiado, mas não falou nada.

Linda, prontamente com ar de culpada, respondeu:

— Fomos ali comer um cachorro-quente. Carlinhos então perguntou:

— Como vocês conseguiram sair com o carro? Ele nem está andando! Está com problema na parte elétrica! Ai, ai…

Se ele soubesse…

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