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Jesus Vem

A trilha que testou até minha pressão

Publicado

Autor/Imagem:
Ana Paula Rocha - Texto e Foto

Grupo animado. Ninguém conhece o caminho, mas Gi, Keren e Eli estão numa animação só. Marcamos cedo e pé na estrada.

Chegamos ao ponto de entrada do parque. Fazemos o check-in, informamos aos guardas para onde iremos e atualizamos os números de telefone.

O parque parece bem seguro, limpo e enorme também.

O dia amanheceu bem nublado. Pegamos as instruções e, a princípio, parecia bem fácil. Passamos pela adutora e seguimos para a subida.

Como disseram, parecia bem fácil…

Uma das orientações dizia: ao chegar à bifurcação, vocês verão um coqueiro. Sigam para a esquerda e, assim que passarem pelo oásis, continuem na trilha da direita.

Assim fizemos. E vou te contar: não foi nada fácil.

A temperatura subiu rapidamente! Afinal, estávamos subindo um dos morros mais quentes do Rio de Janeiro. Nosso objetivo, eu ainda nem tinha dito, era a pedra conhecida como “Jesus Vem”.

Até encontrar o tal coqueiro foi uma eternidade. Quando chegamos lá, ninguém sabia ao certo se era esquerda ou direita. Fomos para a direita e demos de cara com uma casa que não era citada na descrição.

Voltamos ao ponto da bifurcação e seguimos para a esquerda.

Pronto! Avistamos o oásis. Um caminho cercado por árvores frutíferas, mas que também era uma verdadeira estufa. Um calor de derreter. Mata fechada, calor infernal e uma trilha bem estreita.

Eu, com meus passinhos curtinhos, porque, a essa altura, a pressão já estava na língua. Um suor que encharcava toda a roupa.

Não aguentei.

Sentei.

Sentei no chão mesmo. Dali aproveitei a calmaria e deitei. Já não importava se tinha cobra ou qualquer outro bicho.

Achando que era delírio, escutei vozes. E uma delas eu reconheci. Vinha lá do alto, acima das nuvens. Com certeza era a Ceinha.

Gi e Keren continuaram a subida para ver se encontravam alguém que pudesse ajudar.

Eli, ali quietinha, dizia que eu estava alucinando, que eu só precisava respirar e acalmar o coração, porque eu estava à beira de um infarto. E não era por despreparo.

Depois de uns 25 minutos naquela sauna natural, ergui-me e continuei. Naquele trecho do oásis não havia a menor condição de resgate.

Lá em cima encontramos um grupo descendo. E quem vinha sorrindo, numa gargalhada só? Ceinha.

Ela vinha com outro grupo, soltando aquela gargalhada sem igual. No auge do delírio, eu realmente tinha reconhecido a voz dela.

No fim das contas, não estava tão ruim assim. Afinal, pelo fato de eu ter reconhecido a voz, entendi que não morreria ali.

Continuamos a subir, mas não conseguimos chegar à pedra principal. O caminho estava tomado pela vegetação, que chegava à altura dos joelhos.

Paramos sobre as nuvens.

Dali contemplamos uma vista maravilhosa de Realengo, Padre Miguel e Bangu.

E, apesar do calor, do cansaço e do quase infarto, foi impossível não pensar que cada passo tinha valido a pena.

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