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Carta maldita

Candidatura fica manca após tiro no próprio pé

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Conforme pesquisa recente, nem mesmo a maioria dos eleitores de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acredita nas “boas” ações do candidato bolsonarista. Boa parte dos supostos simpatizantes vota nele porque rejeita Luiz Inácio. Foi a mesma razão pela qual Jair Bolsonaro foi eleito em 2018. Deu no que deu. Na verdade, está dando. Para sorte do país, a recíproca também é verdadeira, ou seja, significativo percentual dos brasileiros consultados votará em Lula para evitar a volta do clã Bolsonaro ao poder. Então, o resultado em outubro pode ser um a um?

Claro que não! Associados às barbáries de Flávio Bolsonaro contra a própria pátria e à ausência de uma terceira via de peso, os votos dos ex-bolsonaristas e a avalanche de sufrágios já garantidos pelo líder petista confirmam que a candidatura lulista está cada vez mais próxima de ser considerada pule de dez. O novo tarifaço a ser anunciado pelo governo Donald Trump para prejudicar o Brasil, Luiz Inácio e todo o povo brasileiro talvez tenha seja a peça que faltava para o xeque-mate na campanha da extrema-direita.

O cadafalso começou a ser armado pela família, mais precisamente por Jair Messias, “autor” da maldita carta em que ele afirma que 01 é seu sucessor e “porta-voz”. Como o conteúdo foi avaliado como propaganda eleitoral antecipada, o tiro saiu pela culatra. Desgastado pessoal e politicamente, o primogênito de Jair Bolsonaro, além de se apegar às inoportunas e sacanas maledicências do titio Trump, decidiu atirar para todos os lados, inclusive participar de eventos com grupos ligados à oposição.

No Rio de Janeiro, berço político do clã, ele não perde nem mesmo o bonde de Eduardo Paes, candidato adversário ao governo fluminense. Junta-se a todas essas mazelas, a crise com a madrasta, Michelle Bolsonaro, a misoginia do aliado fugitivo Paulo Figueiredo, a prisão de um ex-prefeito do Estado do Rio e seu candidato para o Senado e a dificuldade de 01 para ouvir conselhos de correligionários, causa principal do calvário do pai Jair Bolsonaro.

Diz a lenda e os mais vividos que quem não se comunica se trumbica. De acordo com indispostos aliados, é o que vem ocorrendo com Flávio Bolsonaro, cuja ânsia de mirar para desqualificar Lula não tem dado certo. O tiro acaba atingindo o próprio pé. Por exemplo, a “visita” à casa do pai eles (os aliados) só souberam quando a carta foi divulgada. No Rio, o problema são as agendas com famílias amigas, mas inimigas políticas de furiosos bolsonaristas. Furiosos e quase ex-bolsonaristas.

Dizem as boas e más línguas que a situação está ficando insustentável, pois o time de “poderosos” montado por Flávio para estimular sua campanha está ficando pelo caminho. A Polícia Federal está de olho em boa parte da equipe. Alguns já foram pegos. A pergunta que não quer calar é simples: Impedido de visitar a casa paterna, como Flávio vai se virar sem os abalizados conselhos do capitão para derrubar Lula? O pai não conseguiu e, tudo indica, o filho nem precisa tentar.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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