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Livre arbítrio

TariFlávio vira borduna contra Lula por quem tem o rabo sujo e preso lá fora

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Fazendo minhas as palavras do pensador espanhol Séneca, a máscara pode convencer por algum tempo, mas o caráter sempre encontra uma forma de aparecer. Não tenho recibo para defender esse ou aquele lado, mas é público e notório que a defesa da democracia nada tem a ver com aquele que, mesmo recluso, flerta dia e noite, por meio do filho candidato, com o autoritarismo competitivo, que usa o aparato de Estado para punir críticos e desmontar o jogo democrático. Na eleição presidencial que se avizinha, cada um dos cerca de 160 milhões de eleitores têm o direito de votar como bem entenderem.

É o que a espiritualidade denomina de livre arbítrio. No entanto, a remota possibilidade de se escolher quem pretende reeditar a história triste e venenosa vivida recentemente é apostar no retrocesso. Como lidera as pesquisas de intenção de votos, na cabeça dos extremistas de direita, desde a derrota de Jair Bolsonaro, em outubro de 2022, tudo é culpa do presidente Lula. Se chover, fizer sol ou nevar, é culpa do Lula. Se alguém perde o emprego por causa do tariFlávio do Trump, é culpa do Lula.

Lula é culpado até pela alta da gasolina, cujos preços sobem exclusivamente em decorrência da guerra entre Estados Unidos e o Irã dos aiatolás. Tenho informações não confirmadas de que os bolsonaristas são capazes inclusive de acusar o presidente Lula por eventuais chifres. Nesse caso, a sugestão é simples: Ponha um chapéu de touro, faça o “L” e vote em quem preza pela democracia e não discrimina cornos e não cornos.

O modismo da direita e da extrema-direita é falar de Lula e da esquerda. Falam, criticam, odeiam, mas invejam e, principalmente, esquecem do rabo cada vez mais comprido, sujo e pesado. A moda é dizer que Lula é ladrão, que a esquerda rouba e que os deputados e senadores esquerdopatas vão para a esbórnia com dinheiro público. Não é o que o povo lê, ouve e é informado quase diariamente pela Polícia Federal. E se fosse o Lula que tivesse sido pego cobrando 61 milhões do banqueiro criminoso Vorcaro?

Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Ciro Nogueira (PP-PI), Hugo Motta (Republicanos-PB), o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e os pastores Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), Geraldo dos Santos Filho (RN), conhecido com Pastor do PCC, e Márcio Pôncio, entre dezenas de outros, podem até escrever com a esquerda, mas são da ultradireita. Ex-deputados, mas ainda “donos” do dinheiro público, Valdemar Costa Neto e Eduardo Cunha também não rezam na cartilha garantidora de Luiz Inácio.

Esqueci do senador Jaques Wagner (PT-BA), cuja morte política anunciada veio tarde demais. O fato é que, basta uma varredura simples com vassoura de pelo de pinto, para descobrir onde estão os abutres do Congresso e do Brasil. Se abrir a boca, a maioria deles se entrega sozinho. Valdemar, o patrão, não me deixa mentir. Hilário não fosse trágico, mas só no Brasil dos “patriotas” um, dois ou dez deputados sem mandato conseguem manipular o Orçamento da União. Só no Brasil, um candidato à Presidência faz negociações futuras com o governo norte-americano. Depois dizem que o ladrão e entreguista é Lula.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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