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VAR do Clã

Bolsonarismo faz jogo perigoso sem saber que quem manda é Michelle

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Autor/Imagem:
Sonja Tavares - Foto de Arquivo/ABr

Brasileira que torce pelo sucesso político e econômico do país, tenho horror à oratória de embromação criada pelos principais líderes da extrema-direita para defender suas legendas e seus correligionários. Por exemplo, “esquerdopata” é um termo pejorativo criado pelos adversários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para desqualificar defensores de pautas progressistas, rotulando-os como extremistas, fanáticos ou irracionais. A mistura da palavra “esquerda” com “psicopata” ou “patologia” serve prioritariamente como defesa daqueles que efetivamente exageram na prática do extremismo.

Acho que, para animar a disputa doutrinária, os radicais também inventaram o bolsonarismo, termo ideológico predominantemente do governo de Jair Bolsonaro, com aversão à esquerda política e o doentio culto à figura de Jair Bolsonaro. Além disso, por conta dos escritos de Olavo de Carvalho, o guru dos derrotados, o vocábulo é diretamente associado à retórica de defesa da família, de um patriotismo fajuto, do conservadorismo, do autoritarismo, de elementos neofascistas, do anticomunismo e do negacionismo científico.

Embora deliberadamente eles não informem, há diferenças entre um e outro termo. E elas não são apenas simbólicas. A principal divergência está na força política do grupo que aceita derrotas e na fragilidade espiritual e religiosa dos que não ainda aprenderam a perder. Que os fundamentalistas me corrijam, mas bolsonarismo é um delírio coletivo que “obriga” o patriota a ser contra a pátria, o político eleito a se manifestar contrariamente à democracia, militar pedir intervenção estrangeira e cientista abominar a vacina.

Além disso, com a lavagem cerebral a que são, voluntariamente, submetidos, os cristãos passam a ser a favor da guerra, o servidor público defende a privatização e o pobre se opõe à taxação de super ricos. Semana passada, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, partido do candidato presidencial Flávio Bolsonaro. Conforme investigação da Polícia Federal, Valdemar, que não é mais parlamentar, desviou essa grana de pelo menos 21 emendas parlamentares. Ou seja, ele inaugurou a terceirização das emendas.

Por isso, o pedido do ministro do STF Flávio Dino para bloqueio dos recursos. É mais uma das surpresas do bolsonarismo, cujos membros não se envergonham da condição de falsos moralistas. Como o modus operandi da seita é se defender atacando, na opinião das viúvas do Jair Dino é mais um dos membros da Suprema Corte à serviço da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. A última deles foi acusar o ministro Alexandre de Moraes de agir de caso pensado ao manter Jair Bolsonaro em prisão domiciliar. Eu não duvido. Para quem teve muito poder, menos o de dar golpe, o ex-presidente parece estar vivendo o simbólico umbral no recesso do próprio lar.

Se alguém discorda, basta imaginar o inferno de um ser humano que já mandou e desmandou e hoje vive como refém político da patroa Michelle e ideológico do filho mais velho Flávio Bolsonaro, ambos tentando chamar para si o comando que um dia foi dele. Com certeza, Bolsonaro está com saudades da Papudinha, onde estaria livre para fazer política de manhã, à tarde e, se precisasse, de madrugada. Em casa, é Michelle no quarto e na cozinha e Flávio na sala de estar. Como democrata e cristã, acho que tudo isso é parte da colheita do que ele mesmo semeou. A semeadura incomoda e faz mal àqueles que só desejam o mal.

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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

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