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Piada generalizada

Soneto da campanha de 01 é pior do que as emendas

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

A exemplo do pai golpista, o senador e candidato presidencial Flávio Bolsonaro parece não ter noção de que política se faz com atos e não com fatos e fotos. Na contramão da caminhada célere de Luiz Inácio Lula da Silva rumo à quarta encarnação na Presidência da República, o primogênito de Bolsonaro não acerta uma. Como diriam os futebolistas do século 20, o camarada chuta, chuta e não dá uma dentro. Parece coisa feita, mas não é. É pura incompetência ou piada generalizada.

Como pênalti mal batido, o novo tarifaço imposto por Donald Trump foi um verdadeiro gol de placa. Só que contra. Assim como toda a extrema-direita e a direita, a campanha de Flávio Bolsonaro é uma comédia sem fim. Sempre em nome do patriotismo, 01 acusa quase diariamente seu adversário de ladrão e de corrupto. Entretanto, é ele (Flávio) que ostenta um patrimônio de R$ 600 milhões e se recusa a explicar a origem. Interessante é que não foi Lula ou nenhum esquerdopata quem descobriu a fortuna do menino de recados do republicano Donald Trump.

O autor da façanha é ninguém menos do que o ex-deputado Julian Lemos, aliado e coordenador da campanha de Jair Bolsonaro em 2018. Não é novidade para ninguém que, logo após declarar, em 2018, possuir R$ 1,7 milhão em bens, o presidenciável da extrema-direita, antes mesmo de concluir seu terceiro no de mandato, comprou uma mansão no Lago Sul, bairro nobilíssimo da Capital, por R$ 5,97 milhões.

É um direito do senador não querer comentar ou explicar de onde brotou tanta grana em apenas cinco ou seis anos. Todavia, como um pingo é letra para quem é alfabetizado, fugir da responsabilidade é passar recibo de que tem muita sujeira por baixo dessa repentina nobreza. São tantas as bobagens do candidato que, mesmo sem querer, tudo conspira contra ele e contra a família. Cada vez mais, 01 se embanana na própria bananeira.

Pior do que as emendas descendo pelo ralo foi a carta do tipo soneto em que Jair explicitamente apoia Flávio. Na tentativa de reorganizar o grupo de frente do Partido Liberal, Jair Bolsonaro não aponta nenhuma proposta para o país, tampouco indica caminhos capazes de ajudar na reconstrução do país que eles insistem em mostrar destruído. Destruído ele quase foi e será caso vença o grupo cuja prioridade não é a nação, mas o poder eterno.

A famigerada carta fala de problemas, mas não indica soluções imediatas e nem futuras. Ou seja, continuará tudo como dantes no quartel do capitão. Por essas e tantas outras, a candidatura de Flávio Bolsonaro desceu do telhado, subiu no barranco e, de lá, muito brevemente deve desmoronar morro abaixo. Enquanto eles tremem, Lula mantém a tendência de subida. Na última consulta pública, a diferença subiu para oito pontos percentuais em um eventual segundo turno. No primeiro turno, a vantagem do petista é de 12 pontos. Querem mais? Aguardem o dia 3 de outubro.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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