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Panorama Político, por João Zisman

Pesquisa mostra Celina dominando o cenário

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João Zisman - Foto de Arquivo

A abertura do período de convenções partidárias encontra o Distrito Federal sob o impacto de uma nova pesquisa eleitoral que confirma a vantagem de Celina Leão na disputa pelo Governo do Distrito Federal, mas também revela um quadro mais aberto e competitivo nas duas vagas para o Senado.

Celina aparece à frente nos dois cenários estimulados e na pesquisa espontânea. A vantagem, porém, não elimina a presença política de José Roberto Arruda, que conserva 28,1% das intenções de voto no cenário em que é apresentado aos entrevistados. Para o Senado, Leila do Vôlei e Michelle Bolsonaro ocupam as primeiras posições, com Erika Kokay mantendo presença relevante e outros candidatos disputando espaço conforme as combinações testadas.

No primeiro cenário estimulado, Celina aparece com 34,6%, seguida por José Roberto Arruda, com 28,1%, e Leandro Grass, com 11,9%. Ricardo Cappelli registra 4,5%, enquanto os demais nomes aparecem abaixo desse patamar.

Sem Arruda na lista, Celina alcança 45,9%. Leandro Grass aparece com 16,3%, seguido pelos demais candidatos testados. Na pesquisa espontânea, Celina tem 12,3%, Arruda registra 7,4% e Grass aparece com 4%.

A rejeição introduz um contraponto importante. Arruda registra 27,9%, enquanto Celina aparece com 26,3%. A proximidade desses índices mostra que a liderança da governadora não elimina resistências e que o desempenho eleitoral dependerá também da capacidade de reduzir rejeições e consolidar alianças.

O levantamento ouviu 1,5 mil eleitores entre 17 e 19 de julho, com margem de erro de 2,6 pontos percentuais. A publicação ocorre justamente no dia em que começa o período destinado às convenções partidárias, que seguirá até 5 de agosto. A partir de agora, partidos terão de substituir sinais, declarações e articulações por decisões formais sobre candidaturas, chapas e alianças.

Já o levantamento para o Senado apresenta uma configuração menos definida do que a disputa pelo governo. No primeiro cenário, sem Ibaneis Rocha, Leila do Vôlei aparece com 39,2%, Michelle Bolsonaro registra 36% e Erika Kokay alcança 28,4%. Bia Kicis tem 18,3%, Rafael Prudente aparece com 15,6% e Sebastião Coelho registra 9,8%.

Em outra combinação, sem Bia Kicis e Ibaneis, Leila tem 40,5% e Michelle, 37,7%, tecnicamente empatadas dentro da margem de erro. Erika Kokay aparece com 29,8%.

Quando Michelle e Ibaneis não são apresentados e Izalci Lucas entra na lista, Leila alcança 41,6%, Erika Kokay registra 30,4%, Bia Kicis tem 20,5%, Rafael Prudente aparece com 18,5%, Izalci registra 12,5% e Sebastião Coelho, 12,4%.

A pesquisa espontânea mostra índice baixo de lembrança dos candidatos. Michelle aparece com 4,9%, Erika Kokay com 3% e Leila com 2,7%. O resultado indica que, apesar do desempenho elevado nos cenários estimulados, a disputa ainda não se consolidou plenamente na memória do eleitorado.

Michelle também apresenta a maior rejeição entre os nomes testados, com 23,9%, seguida por Erika Kokay, com 18,2%. Leila registra rejeição de 10,1%. A leitura mais prudente é que as duas vagas continuam abertas. Leila demonstra força e transversalidade. Michelle conserva um eleitorado expressivo, mas convive com rejeição mais alta. Erika Kokay mantém uma base relevante, enquanto os demais nomes dependem da definição das chapas e da capacidade de ampliar presença eleitoral.

A aproximação entre José Roberto Arruda, Gim Argello e Paulo Octávio aparece como uma tentativa de organizar um campo adversário à candidatura governista. O movimento procura reunir experiência política, estruturas partidárias e bases eleitorais distintas. Seu alcance, contudo, dependerá das convenções, da definição das candidaturas e da capacidade de transformar a aproximação entre lideranças em uma composição eleitoral viável.

A multiplicação de alianças anunciadas antes das decisões partidárias recomenda cautela. O período iniciado nesta segunda-feira deverá mostrar quais articulações possuem apoio efetivo das legendas e quais permanecerão apenas como movimentos de bastidor.

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