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Entre romances, amores e aventuras

Amar sozinha

Publicado

Autor/Imagem:
Ana Paula Rocha - Texto e Foto

Eu não tenho o hábito de ler diariamente, mas, quando me pego lendo grandes romances, consigo devorar um livro inteiro. Talvez seja por isso que eu me pegue construindo determinadas linhas, tentando encontrar a pessoa perfeita.

Normalmente, minhas escolhas têm sido bastante erradas. E tudo isso talvez rendesse um enorme livro de romances, amores, aventuras, muita entrega, muitas situações de compartilhamento e intimidade, mas que, no fundo, levariam a uma única frase: sem sucesso.

Talvez por tantas expectativas e frustrações vividas no passado. Sim, porque nós carregamos bagagens, e algumas são bem mais pesadas do que aquelas que conseguimos administrar.

Então, é possível que as coisas aconteçam assim, meio automaticamente. Por muitas vezes, eu me pego pensando por que a minha escolha não foi a correta. Fico dividida entre ser escolhida e escolher. E isso é muito frustrante, porque você acredita, se dedica e, quando conhece alguém, começa a mudar hábitos. Tenta se adequar a uma situação que talvez só você enxergue. Na verdade, só você se entrega. O outro… o outro não está nem aí.

Eu queria falar de amor de uma forma simples e singular, mas não compreendo como essas coisas acontecem.

Não buscava ninguém. Pelo contrário. Como nas outras mil vezes, fiz votos e promessas de que nunca mais acreditaria em contos, promessas vazias e amores baratos.

Ilusão.

Sempre segura de mim, séria, não deixava ninguém se aproximar. Quando percebia algo além da amizade, fugia. Sim, eu estava convencida de que era foda!

Até que, em uma viagem bem cedinho para a Zona Sul do Rio, eu o conheci. Era uma corrida como tantas outras. Mas havia um olhar diferente.

Mulher, às vezes, tem dessas coisas de ter certezas sobre o que o destino reserva…

E ele não facilitou. Papo vai, papo vem, a troca de telefone aconteceu naturalmente para que, em outra oportunidade, eu o chamasse. Até então, tudo muito profissional.

Depois de algumas atualizações nas fotos do status, veio um “Oi.”

— Que lugar maneiro. Pronto.

Porta aberta para viver algo diferente. Diferente, na verdade, foi.

Até então, eu nunca precisei chamar atenção. Nunca precisei esperar por um “oi”. E lá vai a vida virar de cabeça para baixo.

Rasga-se o manual do controle.

Do ESTAR e não do SER

Foi uma luta diária para não pensar, para não querer. Mas veio o primeiro beijo.

Com aquele ar de jovem apaixonada.

Ah, sim… porque sou canceriana. Ascendente, descendente, sol e lua… tudo conspirando para sentir demais. Jovem apaixonada…

Corta o “jovem”.

Mas loucamente entregue.

Não tínhamos empecilhos, a não ser os traumas que ele nunca me mostrou por inteiro. Eu me disponibilizei.

Movi céus.

Descobri laços que pudessem ser firmados para que ficássemos juntos. No final, nada daquilo para o que fui impulsionada aconteceu.

Houve choro. Culpa.

Raiva momentânea.

Mas nenhum pedido de desculpas. Nenhum arrependimento.

Afinal, eu tinha pedido aos céus que movessem tudo para que pudéssemos estar juntos. E, depois…

Seguimos como dois estranhos.

Mais estranhos do que nunca.

Então me diz…

Pra que serve amar sozinha?

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