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Circunstâncias

Baú de espantos

Publicado

Autor/Imagem:
Gilberto Motta - Texto e Foto

Deixo aqui minhas fotografias e outras imagens.

Levo comigo o meu baú de circunstâncias,

minha náusea, meu circo de espantos,

a longa noite e a insônia.

Trejeitos, miragens, pastiches e simulacros.

Deixo meu detector de mágoas,

meu mar predileto de margens abstratas,

minha ideia de esconderijo.

E tudo o que resultou do roubo de imagens e palavras.

Deixo as velhas rendeiras da Lagoa tangendo frases,

sons profundos de vozes enlatadas,

perdidas nas tocas de bruxas e druidas.

Velhos vícios tangendo ladainhas para o farto pasto de deus.

Deixo, feito cobra, a casca do impossível,

perfis, carcaças, esqueletos e enjoos.

Deixo tudo e algo mais do além de mim,

pois me acompanho e me acho e me perco sempre

Quem se afasta é apenas o que pensaram de mim,

o outro, o dessemelhante, o diferente e desigual.

Não sou eu, são eles.

Cumpro apenas a sina/circunstâncias sem asas,

sem anjos, sem santos nem demônios.

Purgatório nuclear, tormentas virtuais de mentes

e sigo homem/gente/bicho feito fato inacabado:

Apenas espanto.

…………………….

Gilberto Motta é escritor, jornalista, pesquisador de textos, imagens e sentidos. “Baú de Espantos” integra o livro de poesias “Portuínas” (CirculaAÇÃO – SP, 2007). O autor vive na Guarda do Embaú, litoral Sul de SC.

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