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Panorama Político, por João Zisman

Eleitorado mais velho pode decidir a sucessão

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Autor/Imagem:
João Zisman - Foto de Arquivo

A presença de quase um quarto do eleitorado na faixa acima dos 60 anos obriga as campanhas a reverem uma antiga simplificação segundo a qual a eleição é decidida apenas pela mobilização dos mais jovens ou pela repercussão nas redes sociais. A comunicação digital continuará relevante, mas não substitui a capacidade de dialogar com um eleitor que costuma acumular experiência eleitoral, memória de governos anteriores e referências políticas construídas ao longo de décadas.

Esse grupo também exerce influência que ultrapassa o voto individual. Em muitas famílias, aposentados e pensionistas contribuem decisivamente para a renda doméstica, ajudam filhos e netos e participam das decisões relacionadas a saúde, educação, moradia e consumo. Seu voto, portanto, pode funcionar como ponto de orientação dentro do núcleo familiar, sobretudo quando existe confiança acumulada na interpretação que fazem dos candidatos e dos governos.

Para as campanhas, a consequência é objetiva. Não bastará incluir referências protocolares à terceira idade nos programas eleitorais. O eleitor com mais de 60 anos deverá cobrar propostas verificáveis para reduzir filas na saúde, ampliar o acesso a medicamentos, melhorar a segurança nos bairros, garantir transporte adequado e preservar o poder de compra. A candidatura que compreender esse conjunto como força política, econômica e familiar terá vantagem sobre aquelas que tratarem o segmento apenas como público de políticas assistenciais.

Os números divulgados nesta terça confirmam que a disputa pelas duas cadeiras do Senado continua sem definição antecipada. Leila do Vôlei lidera numericamente os cenários apresentados, enquanto Michelle Bolsonaro conserva elevado potencial eleitoral, mas também concentra rejeição significativa. Erika Kokay mantém base própria, Bia Kicis disputa diretamente espaço no eleitorado conservador e Rafael Prudente tenta construir uma alternativa que combine estrutura partidária e presença territorial.

A ausência de Ibaneis Rocha entre os candidatos modifica a distribuição dos votos, mas não cria automaticamente um único beneficiário. Parte desse eleitorado pode acompanhar uma composição liderada pelo governo local; outra parcela pode procurar nomes mais identificados com o centro político ou dividir seus dois votos entre campos distintos. A pesquisa registra o momento, mas não encerra a disputa, especialmente porque alianças, chapas e candidaturas ainda dependem das convenções partidárias e do registro formal.

A sequência de pesquisas sobre o governo e o Senado tende a ampliar o frisson dos bastidores. O risco está em transformar diferenças dentro da margem de erro em hierarquias definitivas ou interpretar a retirada de um candidato como transferência automática de votos.

No Distrito Federal, a disputa combina rejeições elevadas, eleitorado ideologicamente segmentado e duas escolhas simultâneas para o Senado. Esse desenho favorece movimentações táticas e torna especialmente importante observar quem consegue ampliar sua base sem perder o eleitor já conquistado.

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