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Reeleição presa no cofre

Buriti atrasa dívidas para manter liquidez do BRB e pode pegar Celina

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Marta Nobre - Foto de Arquivo

A crise que envolve o Banco de Brasília (BRB) entrou em uma nova fase. Reportagem publicada pelo UOL nesta terça-feira, 21, descreve um cenário de forte restrição de liquidez, atrasos em pagamentos do Governo do Distrito Federal e adoção de medidas destinadas a preservar recursos em caixa enquanto a instituição tenta atravessar a maior turbulência de sua história recente. As informações do UOL foram checadas por Notibras e confirmadas por ex-dirigentes do banco. O presidente Nelson Souza, procurado, não se manifestou até a edição desta matéria.

As notícias indicam que o Governo do Distrito Federal passou a manter elevados volumes de recursos públicos depositados no BRB como forma de reforçar a liquidez da instituição. Fontes ouvidas pelo portal afirmam que cerca de R$ 9 bilhões do Orçamento distrital permanecem bloqueados ou retidos no banco, enquanto diversos pagamentos autorizados estariam sendo postergados. A interpretação apresentada é que a estratégia busca evitar uma deterioração ainda maior da situação financeira do banco e reduzir o risco de uma intervenção do Banco Central.

A reportagem sustenta ainda que o BRB teria operado, em determinados momentos, com patrimônio líquido negativo, necessitando preservar caixa para manter suas operações básicas, como concessão de crédito e liquidação de pagamentos. Também nesse caso, trata-se de informação atribuída a fontes ouvidas pelo portal, sem confirmação pública do banco ou do regulador.

O que efetivamente é público e incontestável é que o BRB continua sem divulgar demonstrações financeiras consideradas essenciais para que investidores, acionistas, órgãos de controle e o mercado conheçam a real extensão das perdas decorrentes das operações envolvendo o Banco Master.

O banco deixou de apresentar dentro do prazo legal os balanços referentes ao exercício de 2025 e, sucessivamente, adiou a divulgação das demonstrações financeiras. Como consequência, permanece sem divulgação também o desempenho do primeiro trimestre de 2026, ampliando a falta de transparência sobre a real situação patrimonial da instituição.

Em audiência no Senado, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, reconheceu que a demora na publicação dos balanços prejudica a instituição e afirmou que o banco enfrenta uma “corrida de liquidez”, expressão utilizada para descrever o movimento de retirada de recursos por clientes e investidores diante da perda de confiança.

O atraso na divulgação das demonstrações financeiras levou o BRB a sofrer multas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), além de permanecer sujeito às exigências prudenciais do Banco Central, que acompanha a evolução da situação financeira da instituição.

No mercado financeiro, a ausência dos balanços é considerada um dos principais fatores que dificultam qualquer avaliação precisa sobre o tamanho das perdas provocadas pelas operações realizadas com o Banco Master.

A recuperação do banco dependia, em parte, de um amplo processo de capitalização envolvendo ativos ligados ao caso Master. O próprio presidente do BRB informou anteriormente que a estratégia previa a criação de um fundo de investimento para administrar esses ativos e reforçar a liquidez da instituição.

Entretanto, o prolongamento da crise e as dificuldades para concluir esse processo mantêm elevado o grau de incerteza em torno do futuro do banco.

Além das consequências financeiras, o agravamento da crise pode produzir impactos políticos relevantes. Como acionista controlador do BRB, o Governo do Distrito Federal acompanha diretamente a evolução do caso. Em um cenário pré-eleitoral, a persistência da crise tende a manter o banco no centro do debate público, especialmente enquanto permanecem pendentes a divulgação dos balanços e a apresentação de uma solução definitiva para o problema de capitalização. E esse quadro pode respingar na candidatura à reeleição da governadora Celina Leão (PP).

Até o momento, porém, não há anúncio do Banco Central sobre eventual intervenção na instituição nem confirmação oficial das informações divulgadas por fontes ouvidas pelo UOL. O banco continua operando normalmente, embora sob intensa pressão do mercado e dos órgãos reguladores.

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Marta Nobre é Editora Executiva de Notibras

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