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Cantinho do Leitor

O olhar de Flavio Bonesso sobre o Café Literário

Publicado

Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Foto Arquivo Pessoal

O ritual do café da manhã em Brasília ganhou um novo ingrediente para o funcionário da Emater-DF Flavio Bonesso, de 57 anos. Entre o sotaque político da capital federal e a calmaria do litoral baiano — seu refúgio favorito nas temporadas de descanso —, Flavio encontrou na tela do celular um ponto de conexão com a literatura viva do país. Leitor assíduo e observador atento, ele faz parte do público que encontrou nas publicações diárias do Café Literário uma janela para enxergar o Brasil real, longe dos catálogos tradicionais das grandes editoras do eixo Rio-São Paulo.

Nesta edição do Cantinho do Leitor, batemos um papo descontraído com Flavio sobre sua relação com as crônicas da plataforma, o impacto da literatura independente na rotina e a constante busca pelo equilíbrio entre a pressa urbana e a tranquilidade da maresia. Ele nos conta como os textos digitais transformaram seus hábitos e elege o cronista Gilberto Motta como uma de suas grandes descobertas no portal. Acompanhe a entrevista completa a seguir e inspire-se com as percepções de quem consome e faz circular a nossa literatura.

 Como o hábito de ler e acompanhar as publicações diárias do Café Literário moldou a sua percepção sobre a literatura independente?

Mostrou-me que o Brasil real não está nos catálogos das grandes editoras. Eu costumava ler apenas os clássicos e os autores premiados do eixo Rio-São Paulo. O portal abriu meus olhos para a potência da escrita que nasce no interior do país, no Nordeste e no próprio Planalto Central. Há uma sofisticação na literatura independente que me surpreendeu positivamente.

“A crônica tem o sabor daquela conversa de fim de tarde”

Entre os diversos gêneros publicados na plataforma — contos, crônicas ou poesias —, qual deles mais desperta a sua vontade de ler até a última linha e por quê?

A crônica. Para quem já passou dos cinquenta, a crônica tem o sabor daquela conversa de fim de tarde na mesa de um bar ou na varanda de frente para o mar. Ela pega o pequeno detalhe do dia, qualquer que seja, e isso é transformado em reflexão. É um gênero que me prende do início ao fim pela familiaridade.

Que tipo de narrativa ou poema publicado aqui mais reflete o seu cotidiano e as suas vivências no Brasil de hoje?

Gosto dos textos que capturam o contraste da minha vida. Por um lado, o cotidiano cinzento, político e planejado de Brasília, com suas superquadras e rotina de trabalho. Por outro, as crônicas e contos que exalam o calor, o cheiro de maresia e a espontaneidade da Bahia. Quando leio algo que une essa nossa pressa urbana com a calmaria do litoral, sinto que o texto foi escrito para mim.

Já aconteceu de um texto lido no Café Literário mudar a forma como você enxerga algum aspecto da sua própria vida ou das suas relações?

Sim. Recentemente li uma crônica sobre a passagem do tempo e a arte de desacelerar. Nós, que vivemos a maior parte da vida correndo atrás de metas profissionais, às vezes esquecemos de respirar. O texto me fez repensar minha relação com o trabalho e me motivou a passar temporadas perto da praia. A literatura me lembrou de que o tempo é o nosso bem mais precioso.

Se você pudesse sugerir um tema ou um sentimento específico para os nossos autores explorarem nas próximas publicações, qual seria?

Eu gostaria de ver mais textos sobre o reencontro do homem maduro com a sua essência. O sentimento de desapego que chega com a idade, a beleza das coisas simples e o contraste cultural entre as diferentes regiões do Brasil, especialmente o choque saudável entre o ritmo do funcionalismo público e a vida comunitária do litoral.

“Gosto muito do Gilberto Motta, ele parece o tipo de gente que eu conheço”

Qual foi o autor ou autora descoberto recentemente no portal cuja escrita mais chamou a sua atenção e te fez querer acompanhar tudo o que publica?

Gosto muito do Gilberto Motta, ele parece o tipo de gente que eu conheço. Gente de verdade, sem superficialidades todas. E acho que ele consegue transmitir muito bem essas coisas nas suas crônicas. Coisas simples, sabe, sem essa coisa de querer ser mais do que os ouros. Gente de verdade.

Para você, qual é a principal diferença na experiência de ler uma crônica ou poesia no formato digital do Café Literário em comparação com um livro físico?

O livro físico ainda é o meu companheiro na rede da varanda, olhando o mar da Bahia. Porém, o formato digital do Café Literário virou o meu ritual do café da manhã em Brasília. É a literatura de consumo imediato, que me prepara para o dia de trabalho antes de eu encarar o trânsito ou abrir o computador. O digital traz o frescor do dia; o físico traz o peso da tradição.

Você tem o costume compartilhar os textos nas suas redes sociais para incentivar a literatura independente?

Sou mais reservado, acho que é coisa da minha geração. Mas costumo enviar os links dos contos e crônicas mais divertidos no grupo de WhatsApp da família e dos amigos mais próximos. É a minha forma de dizer: ‘Leiam isso aqui, vale a pena’. Quando o texto é bom, ele precisa circular.

Se você aceitasse o desafio de escrever e publicar o seu próprio texto no Café Literário, qual gênero escolheria e sobre o que ele falaria?

Escreveria uma crônica de viagem existencial. O título seria algo como ‘Entre o Concreto e a Maresia’. Falaria sobre a sensação térmica e espiritual de sair do vento seco e da arquitetura imponente de Brasília na sexta-feira e acordar no sábado de manhã com o barulho das ondas na Bahia, refletindo sobre como cabem vários Brasis dentro de um único homem.

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Caro leitor, caso você também queira parcicipar do Cantinho do Leitor, entre em contato conosco através do e-mail: concursocontosecronicas@notibras.com

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