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Herança vetada

Justiça lembra Ibaneis que feira é pública, não da família

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Maria Amália Alcoforado - Foto Divulgação

A lei da impessoalidade resolveu estragar a festa da família Rocha no Distrito Federal. Nesta quinta-feira (23), a Justiça do DF determinou que o governo local tem o prazo de 30 dias para retirar o nome do pai do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) de todas as placas, fachadas e registros da Feira Permanente do Núcleo Bandeirante. O espaço público havia sido rebatizado em dezembro de 2023, logo após uma generosa reforma entregue pela gestão do próprio filho.

A homenagem carinhosa, aprovada com louvor pela Câmara Legislativa, transformou o local na “Feira Permanente Ibaneis Rocha Barros Pai”. O projeto justificava o ato lembrando que o falecido era um dos pioneiros da região. No entanto, para o juiz Carlos Frederico Maroja de Medeiros, o carimbo do sobrenome governamental em concreto público funcionou menos como resgate histórico e mais como uma ostensiva e vitalícia propaganda política.

O despacho judicial fez questão de lembrar que o uso da máquina pública tem limites éticos, apontando fortes indícios de favorecimento pessoal e violação aos princípios de isonomia. O magistrado destacou que a inscrição do nome do pai do ex-mandatário no endereço equivale a uma publicidade institucional perene, o que é expressamente proibido pela Constituição, por mais “digno” e “honorável” que o homenageado tenha sido em vida.

“Vai cair”

A provocação que desandou o caldo familiar partiu de uma ação movida pelo ex-ministro e pré-candidato ao governo do DF, Ricardo Cappelli (PSB). Inconformado com o revés jurídico, Ibaneis Rocha não escondeu o descontentamento e partiu para o ataque, afirmando convictamente que a liminar “vai cair” em recurso. O ex-governador garantiu que nunca precisou de promoção pessoal e rebateu a canetada chamando o juiz do caso de “idiota”.

Enquanto as instâncias superiores não decidem o futuro do letreiro, o governo corre contra o relógio para apagar os vestígios da polêmica homenagem provisória. Os feirantes e clientes do Núcleo Bandeirante, alheios aos tribunais e aos sobrenomes ilustres, aguardam para ver se a feira voltará a ser apenas o local de pastéis e compras ou se continuará servindo de ringue político para as próximas eleições.

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