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Incômodo adversário

Qual o objetivo da família que se acha credenciada ao poder?

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Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto de Arquivo

Nascido em meados do século passado, costumo dizer que vivi (e vivo) para ver, de longe, as loucuras que uma determinada família faz pelo poder eterno. Pior são os que ainda acreditam nas barbáries cometidas pelo clã do fim do mundo. Como não comungo de nenhuma das ideias do pai, dos filhos, da “mãe” e dos espíritos santificados pelo ódio engarrafado em tonéis de madeira ideologicamente envelhecida pelo fanatismo arcaico, agressivo e ameaçador, sou escanteado, comumente classificado de esquerdista e, às vezes, de comunista.

Para minha sorte e de todos os que receberam a mesma classificação, esse povo não sabe o que diz, muito menos o que faz. Aí é que mora o problema. Como não conhecem a lição da boa governança, tampouco da boa vizinhança, tudo que esse povo faz ou pensa em fazer dá para trás. Embora eles se achem os melhores do mundo na política, na economia e na administração pública, o governo com o Brasil acima de tudo e Deus acima de todos é a referência negativa usada pelos integrantes do clã para convencer Donald Trump e eleitores incautos.

Como os fatos contestam e desmentem qualquer argumento caseiro, resta saber qual o novo objetivo que os faz acreditar que continuam credenciados a insistir na busca de um poder que teimam em imaginar exclusivista, personalizado ou, no máximo, familiar. Mentirosamente convictos de que morrerão com a certeza de que o poder conferido pelo povo tem de ser usado contra o povo, eles (os protagonistas desta narrativa) precisam ser informados com urgência de que o poder não muda o homem, mas o revela.

Considerando que o verdadeiro poder é aquele que não precisa ser demonstrado, inquestionavelmente é o caso da família que não sabe perder. Já o homem que sabe mandar encontra sempre quem queira obedecer. Incontestavelmente, é o caso do incômodo e vencedor adversário, transformado ideologicamente no inimigo a ser batido. Quem sabe morto. Quem duvidar que atire a primeira pedra, desde que, conhecendo o simbolismo da lei de causa e efeito, esteja pronto para recebê-la de volta.

Por falar em pedras, como sou antigo costumo guardar todas as que já encontrei pelo caminho. Quem sabe um dia eu construo um castelo ou chuto os cascalhos de volta na direção das árvores que nunca deram frutos. Como diz um provérbio chinês, a repetição do mal deixa suas marcas até nas pedras. Por analogia, vale lembrar o pedido do candidato da família para que o governo dos Estados Unidos super tarifasse e classifique de terroristas o crime organizado pelas facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Será que o esquecimento das milícias justamente no berço do candidato foi deliberado? Acho que nunca saberemos!

É verdade que o governo brasileiro tem dificuldade em combater a crescente bandidagem, principalmente agora que ela se enraizou pelos gabinetes refrigerados de Brasília, do Rio de Janeiro, de São Paulo e de outras capitais do país. O que surpreende é ver que o mesmo cidadão que se apresenta hoje como o grande inimigo das facções criminosas não consegue explicar o inexplicável, isto é, as homenagens aos representantes dessas facções e às eminências pardas das milícias cariocas. Nem ele e nem o pai. Trata-se da contradição da contradição. Nada de anormal para quem não tem maturidade, tutano ou coragem para aprender que atirar pedras é fácil. O difícil é ser vidraça. Ele foi e tomara que não seja nunca mais.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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