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Verbos do presente

Votos imaginários são como ônibus e caminhão em uma estação de trem

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto Editoria de Imagens/IA

Desde o ET de Varginha, em 1996, e dos bolsonaristas acampados em frente ao Quartel-General do Exército, em 2022, eu não ouvia falar de seres extraterrestres, tampouco de objetos voadores não identificados (Ovnis). Não falo sobre espécies bizarras, muito menos de criaturas lendárias ou de fenômenos ufológicos misteriosos. Minha narrativa de hoje tem a ver com nossa estranheza interior, do comportamento humano e do mistério que é permitir a alguns de nós conviver e adorar o desconhecido. Às vezes, nem tão desconhecido. Às vezes, é tão conhecido que poucos insistem em “comprá-lo”.

Considerando a máxima do filósofo e filólogo alemão Friedrich Nietzsche, para quem cada pessoa é o ser mais distante de si mesma, os termos ganhar, tarifar, arrasar, desmoronar e, se for o caso, golpear foram confirmados nesse sábado (25) como os verbos a serem conjugados na primeira e na segunda pessoa do singular e na terceira do plural do futuro do presente até o dia da eleição presidencial, em 3 de outubro. Como todos os postes da Avenida Paulista, da orla de Copacabana e da Esplanada dos Ministérios já sabiam, o Partido das Lágrimas oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

Mais por ausência de nomes do que pela categoria e capacidade do candidato, o PL e o primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro terão pela frente a duríssima tarefa de desbancar do Palácio do Planalto ninguém menos do que Luiz Inácio Lula da Silva, o sujeito que tirou Jair da zona de conforto da qual ele nunca imaginou sair. Por isso, a preocupação com os verbos. Diante do presidente da Argentina, Javier Milei, 01 não disse, mas deve ter internalizado frases do tipo “eu vou ganhar, vou tarifar, vou acabar com os esquerdopatas, arrasar com o Brasil e, se nada der certo, com a ajuda de tio Donald Trump, vamos golpear”.

Muita pretensão, mas tudo palpável para um cidadão que vive o drama da falta de votos capazes de garantir a tão sonhada vitória, que convive com insolúveis conflitos familiares e cotidianamente age como fomentador de ódio, da vingança, da deslealdade, do antipatriotismo e da desgraça nacional. É nesse cidadão que Trump vem apostando todas as fichas vermelhas e brancas para evitar que Lula da Silva, mesmo sem o uso da força, da retórica e dos mísseis balísticos, permaneça como o grande e mais respeitado líder do continente.

No Brasil imaginado pelo clã Bolsonaro, é preciso ignorar muita coisa para se viver em paz. Muitos vão falar, pensar, julgar, palpitar e até inventar histórias, mas quem viverá o caos serão os verdadeiros patriotas. Como ocorreu em 2018, uma atitude errada pode estragar dias, anos e até séculos. Então, tomemos cuidado, porque nem todo lápis vem acompanhado de uma borracha. Desde a eleição de Jair Messias, parei de acreditar em palavras e passei a observar atitudes. O comportamento nunca mente. Homem sem atitude é igual caneta sem tinta. Não faz nada, não serve para nada.

Nunca fui, não sou, jamais serei militante do PT e não tenho qualquer vinculação ou inspiração petista. Após anos de cobertura política, posso afirmar que Lula nunca foi santo. Nada próximo disso. Entretanto, não acho justo ou aceitável que justamente aqueles que não são exemplos de nada apontem o dedo para ele. Javier Milei, Donald Trump e os Bolsonaro não servem como modelos de competência, honestidade, patriotismo, seriedade e sociabilidade. Muito pelo contrário. Depois deles, aprendi a nunca esperar nada de ninguém. Desde então, só tenho surpresas e nenhuma decepção. Aos que se emprenham pelo Instagram, Facebook e X, sugiro que não se iludam com fotos ou coisas bonitas postadas em redes sociais. Comportamento e caráter não aparecem na tela.

Ainda sobre as atitudes das pessoas, elas são o melhor remédio para fazer a gente desgostar delas. Mesmo sem vidência, certamente a maioria dos brasileiros não vê mais qualquer membro da família Bolsonaro no futuro do Brasil. Os números não mentem. Embora a maturidade tenha me ensinado que, às vezes, mesmo quando temos muito a dizer, o silêncio é a melhor resposta, que Deus me livre da hipocrisia diária, de quem só finge que encanta e se disfarça. Na verdade, meu Deus, livrai-me do mal disfarçado de bem querer. Portanto, ficar esperando atitudes de quem não tem é o mesmo que esperar ônibus ou caminhão na estação de trem. Ontem eu estava fora disso. Hoje estou igual a ontem. Aos que têm inveja de Luiz Inácio, meu aplauso, pois, no lugar deles, eu também gostaria de ser Lula.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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